O Tao Hospitality Group, em parceria com o estúdio de design iCrave, concluiu a remodelação dos espaços gastronômicos localizados no The Edge, o observatório situado no 101º andar do arranha-céu 30 Hudson Yards, em Nova York. A intervenção principal focou no restaurante Peak with Priceless, que passou por uma reestruturação de interiores para garantir que cada assento ofereça uma vista desobstruída do horizonte nova-iorquino. Além da reforma, o projeto marca a reintrodução do Avenue Sky Lounge, uma releitura do antigo clube de Chelsea que encerrou suas atividades em 2020 devido à pandemia.

O projeto, conduzido pela vice-presidente de design e desenvolvimento do Tao, Susan Nugraha, em colaboração com a equipe da Journey, buscou inspiração direta na arquitetura icônica da cidade. A estética art déco, que definiu o perfil de prédios como o Empire State Building e o Rockefeller Center, serviu como base para a seleção de materiais e elementos de iluminação. A intenção editorial por trás dessa escolha é clara: ancorar a experiência de luxo em uma narrativa histórica que ressoa com a identidade visual de Manhattan, elevando o valor percebido do espaço além da simples localização privilegiada.

A estética como ferramenta de posicionamento

A escolha pelo art déco não é apenas decorativa, mas funcional. O design utiliza luminárias escalonadas e formas geométricas nos balcões de pedra para criar uma conexão visual entre o interior e os marcos arquitetônicos visíveis através das janelas de vidro. Essa estratégia de design espacial, onde o ambiente interno espelha o exterior, visa criar uma atmosfera de permanência e sofisticação em um mercado de hospitalidade extremamente competitivo. A utilização de materiais como camurça em tons terrosos e azul suave, aliada a painéis de madeira laqueada, busca suavizar a rigidez estrutural do arranha-céu.

Mecanismos de exclusividade e experiência

O redesenho do layout do Peak, com cabines em níveis escalonados, garante que a hierarquia do espaço seja ditada pela visibilidade do horizonte, e não apenas pela proximidade com o bar ou a entrada. Este mecanismo de organização é fundamental em um ambiente de alto padrão, onde o ativo principal não é apenas a gastronomia, mas a exclusividade da vista. A capacidade de dividir o Avenue Sky Lounge com cortinas de veludo, seguindo arcos arquitetônicos, permite que o grupo adapte o espaço para eventos privativos, maximizando a flexibilidade operacional do local.

Implicações para o mercado de hospitalidade

Para o ecossistema de hospitalidade de alto luxo em Nova York, a revitalização no The Edge exemplifica a busca por espaços que justifiquem o custo premium através de experiências sensoriais curadas. A integração entre o design de interiores e a oferta de eventos, como o retorno do Marquee Skydeck, sugere que os operadores estão cada vez mais focados em criar destinos que funcionem em múltiplos horários, combatendo a sazonalidade e a efemeridade que afetaram o setor durante os anos de crise sanitária.

O futuro da experiência em altura

O sucesso dessa aposta dependerá da capacidade do Tao em manter a relevância do espaço em um mercado saturado de opções com vistas panorâmicas. A questão que permanece é se o apelo estético ao art déco será suficiente para sustentar o interesse do público exigente de Nova York a longo prazo, à medida que novos empreendimentos continuam a desafiar os limites da arquitetura e da hospitalidade na região.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Dezeen