A arquiteta mexicana Tatiana Bilbao, através de seu estúdio Tatiana Bilbao Estudio, concebeu uma instalação artística de grande escala para o centro cultural Art Omi, localizado em Ghent, Nova York. Intitulada "Borrowed Earth", a obra se destaca pelo uso inovador da terra batida, um material de construção ancestral que utiliza solo local compactado. A instalação é composta por colunas em forma cruciforme, de aproximadamente um metro de altura, com uma forma menor no centro que funciona como banco. Cada elemento foi moldado a partir de solo colhido na região do Vale do Hudson.

Terra Batida: Um Material com História e Futuro

A escolha da terra batida como material principal não foi aleatória. Este método construtivo, que remonta a milhares de anos, consiste em compactar terra úmida, muitas vezes misturada com agregados como areia e cal, dentro de formas. O resultado é uma estrutura sólida e durável, mas com uma conexão intrínseca com o ambiente de onde o solo foi extraído. No caso de "Borrowed Earth", a intenção é justamente explorar a efemeridade desse material. A instalação foi projetada para se desintegrar gradualmente ao longo de aproximadamente dois anos, tornando-se parte do próprio ecossistema do parque de esculturas do Art Omi.

O Ciclo da Natureza na Arte

Julia van den Hout, curadora do Art Omi, destacou os desafios e as particularidades de trabalhar com terra batida. "Não eram sempre cruzes em nossas conversas iniciais", revelou van den Hout. "À medida que começamos a nos aprofundar na realidade de tentar descobrir como construir isso – porque a terra batida é um material desafiador para trabalhar – e pensando estruturalmente em como isso seria construído, durante essas conversas, [a forma] mudou para ser uma coluna cruciforme." A forma final, com suas linhas clássicas e modernistas, ressoou fortemente com a equipe e a artista.

Implicações para a Arquitetura e o Design

A instalação "Borrowed Earth" transcende a mera expressão artística, servindo como um laboratório para a arquitetura sustentável e o uso consciente de recursos. Ao empregar um material local e orgânico, Tatiana Bilbao Estudio não apenas minimiza o impacto ambiental da obra, mas também convida o público a refletir sobre o ciclo de vida dos materiais e a relação entre o construído e o natural. A natureza transitória da escultura, que se desintegra com o tempo, desafia a noção tradicional de permanência na arquitetura e na arte, abrindo espaço para novas interpretações sobre legado e impacto.

A equipe do Art Omi e do Tatiana Bilbao Estudio construiu as colunas no local, com a orientação de um consultor especializado em terra batida. O solo utilizado foi misturado com areia e cal, e compactado em camadas dentro de formas de madeira. A curadora Julia van den Hout descreveu a instalação como "um experimento", admitindo que a velocidade exata da decomposição ainda é uma incógnita, mas enfatizando a qualidade tátil e a sensação de erosão que o material proporciona, ao mesmo tempo em que se mantém estável. A iniciativa se alinha a outras intervenções artísticas no parque, que também exploram materiais e conceitos inovadores.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Dezeen