O setor de telecomunicações demonstra um notável avanço na adoção de tecnologias digitais, com um percentual expressivo de 47% das empresas se autodeclarando inovadoras ou adotantes iniciais. Segundo o KPMG Global Tech Report 2026, focado em telecomunicações e baseado em entrevistas com 104 líderes de empresas com receita anual superior a US$ 1 bilhão, a inteligência artificial (IA) desponta como um dos principais vetores de transformação. Atualmente, 54% das organizações realizam investimentos estratégicos em IA, e a expectativa é que esse número salte para 76% nos próximos 12 meses, com 22% já implementando a tecnologia em escala e obtendo retorno em múltiplos casos de uso.

A lacuna entre investimento e retorno

Apesar do entusiasmo e dos investimentos significativos em IA e outras tecnologias digitais como cloud e automação, o setor de telecomunicações ainda lida com o desafio fundamental de converter essa maturidade tecnológica em resultados financeiros escaláveis e recorrentes. Embora 74% das empresas afirmem ter gerado US$ 50 milhões ou mais em valor com tecnologias digitais nos últimos 12 meses, e 8% tenham ultrapassado a marca de US$ 1 bilhão, a captura desse valor enfrenta obstáculos operacionais consideráveis. O relatório aponta que 77% das empresas sofrem com problemas de previsão e outros 77% citam conflitos entre custo e velocidade como fatores prejudiciais. Adicionalmente, 65% relatam dificuldades em obter patrocínio ou recursos suficientes para suas iniciativas tecnológicas, levando 58% a considerar a tecnologia mais como uma fonte de risco do que de resiliência.

IA como força de trabalho híbrida

A inteligência artificial não está apenas impulsionando a eficiência operacional, mas também remodelando a força de trabalho. O estudo da KPMG indica que 91% das empresas de telecomunicações investem em IA agêntica para criar uma força de trabalho híbrida, integrando profissionais humanos com sistemas digitais. Essa tendência é reforçada pelo fato de que 83% das organizações já incluem funções nativas de IA em suas estratégias de contratação. A pesquisa também destaca que 88% dos respondentes atribuem entre 21% e 40% do valor digital gerado às tecnologias de IA e inteligentes, sublinhando o papel central da IA na geração de valor no setor.

Prioridades tecnológicas e escalabilidade futura

Olhando para o futuro próximo, as prioridades tecnológicas para os próximos 12 meses no setor de telecomunicações são claras: cibersegurança (78%), dados (76%), IA e automação (74%) e cloud (74%). A expectativa é de uma aceleração na implementação dessas tecnologias, com projeções indicando que 66% terão IA e automação totalmente escaladas, seguidas por cibersegurança (63%), cloud (58%) e computação (54%). O sócio-diretor da KPMG no Brasil, Felipe Catharino, enfatiza que o setor precisa focar na capacidade de escalar essas tecnologias com governança, segurança e disciplina de execução, sem comprometer a eficiência operacional e a experiência do cliente, para realmente colher os frutos dos investimentos em inovação.

O desafio para as empresas de telecomunicações reside em superar os gargalos operacionais e de gestão que impedem a plena monetização de seus avanços tecnológicos. A transição de uma fase de experimentação para uma de resultados concretos e escaláveis exigirá uma abordagem estratégica e focada na execução, onde a tecnologia se torne um motor de resiliência e crescimento sustentável. O caminho para transformar IA e outras inovações em valor recorrente, como apontam os dados, ainda é complexo, mas a direção estratégica parece estar bem definida.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · TIInside