A TelePIX, desenvolvedora sul-coreana de cargas ópticas, e a Bellatrix Aerospace, empresa indiana especializada em propulsão espacial, firmaram um acordo para uma missão conjunta de demonstração geoespacial programada para 2028. Segundo reportado pelo SpaceNews, o projeto visa testar tecnologias de imageamento em órbita terrestre muito baixa (VLEO, na sigla em inglês), operando em altitudes significativamente menores que as dos satélites tradicionais de observação. A parceria ilustra o esforço de empresas emergentes do setor espacial asiático para viabilizar operações comerciais em faixas orbitais ainda pouco exploradas devido a desafios físicos severos.
A engenharia de propulsão em órbitas de alto arrasto
A exploração da órbita terrestre muito baixa apresenta um dilema técnico conhecido na engenharia aeroespacial. Por um lado, a proximidade com a superfície permite a captura de imagens com resolução superior e reduz a latência de comunicação, fatores críticos para aplicações geoespaciais e de inteligência. Por outro, a presença de atmosfera residual nessas altitudes gera um arrasto aerodinâmico constante, que degrada rapidamente a órbita do satélite e exige manobras frequentes de correção.
Para contornar essa limitação, a missão planejada pelas duas companhias deve empregar um sistema de propulsão "air-breathing" (que respira ar, em tradução livre). Essa arquitetura tecnológica busca capturar e comprimir as moléculas da própria atmosfera residual para utilizá-las como propelente, estendendo a vida útil do equipamento sem a necessidade de carregar grandes volumes de combustível a bordo. A Bellatrix Aerospace, que atua no desenvolvimento de motores elétricos e químicos para satélites, fornecerá a base propulsiva para sustentar a carga óptica projetada pela TelePIX.
O cronograma que aponta para 2028 indica que a tecnologia ainda passará por ciclos de maturação antes do voo inaugural. O avanço desse projeto conjunto servirá como um termômetro para a viabilidade técnica de constelações em VLEO, um segmento que começa a atrair a atenção de operadores privados em busca de vantagens competitivas na observação da Terra.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · SpaceNews





