O setor de TV por assinatura enfrenta um declínio estrutural que redefine o panorama das telecomunicações. Entre o terceiro trimestre de 2020 e o mesmo período de 2025, o mercado perdeu 5,1 milhões de usuários, caindo de 23,4 milhões para 18,3 milhões de assinantes. A crise atinge com maior intensidade os operadores de tecnologia satelital, como Televisa e Dish, que lutam para manter a rentabilidade diante da ascensão das plataformas de streaming.

Segundo dados do setor, a Televisa registrou uma forte queda em sua base de acessos no período, reduzindo-a de 16,1 milhões para 9,5 milhões de clientes. A situação levou a agência S&P Global a rebaixar a nota de crédito da empresa para BBB-, refletindo o risco financeiro crescente de um modelo de negócio que perde escala rapidamente.

O desgaste do modelo satelital

A dependência de antenas satelitais tornou-se um passivo em um mercado que prioriza a conectividade via fibra óptica. Operadores como Sky, da Televisa, enfrentam dificuldades logísticas e técnicas, incluindo a vulnerabilidade climática da infraestrutura satelital. A tentativa de melhorar o retorno sobre o investimento, através da cobrança de taxas de instalação, resultou em uma desaceleração nas novas adesões, exacerbando a crise de crescimento.

Além disso, a perda de direitos de transmissão, particularmente de conteúdos esportivos que migraram para serviços de streaming próprios, esvaziou a proposta de valor do serviço. O que antes era um pacote essencial de entretenimento tornou-se, na visão de analistas, um produto secundário, incapaz de justificar os custos fixos de instalação e manutenção frente à flexibilidade das plataformas digitais.

A fragmentação do mercado

Enquanto gigantes do satélite perdem terreno, operadoras de fibra óptica como Megacable e Totalplay apresentam trajetórias distintas. Megacable viu sua base crescer 60,6%, enquanto a Totalplay avançou 71% no mesmo intervalo. A superioridade técnica da fibra óptica, que oferece maior estabilidade de sinal, permitiu que essas empresas capturassem usuários que ainda buscam o serviço de TV, embora a tendência a longo prazo seja a transformação do produto em uma commodity de baixo valor.

O caso da Dish exemplifica o esgotamento de um modelo que não se adaptou à transição digital. Após o encerramento de parcerias estratégicas em 2014, a empresa não conseguiu renovar sua oferta comercial, resultando em uma perda de 53,8% de sua base de clientes em seis anos. A falta de convergência com o consumo digital deixou a operadora em uma posição de extrema vulnerabilidade.

Tensões estratégicas e B2B

Para as operadoras tradicionais, a saída tem sido a busca por novas fontes de receita, como o segmento B2B e a redução agressiva de custos operacionais. A estratégia atual foca em transformar a operação de TV paga em uma unidade mais enxuta, enquanto tentam diversificar o portfólio para compensar a sangria de assinantes. Contudo, essa transição exige investimentos significativos em infraestrutura que nem todas as empresas conseguem sustentar.

A pressão dos acionistas e agências de risco força uma reavaliação constante. O mercado observa se essas companhias conseguirão sobreviver como provedoras de conectividade pura, abandonando o conteúdo como pilar central, ou se a erosão da base de usuários continuará a corroer as margens de lucro de forma irreversível.

Incertezas sobre o futuro

O futuro da TV por assinatura permanece incerto à medida que o streaming se torna o padrão de consumo audiovisual. A questão central é se o serviço de TV paga conseguirá se reinventar ou se está fadado a seguir o caminho da telefonia fixa, tornando-se um serviço básico de utilidade pública com margens cada vez menores.

Os próximos trimestres serão cruciais para entender até que ponto a migração digital é um fenômeno de saturação ou se ainda existe espaço para uma proposta de valor híbrida. A capacidade de adaptação das operadoras definirá quais nomes permanecerão no ecossistema de telecomunicações nos próximos anos.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Expansión MX