A corrida presidencial de 2026 já desenha um cenário familiar: uma repetição da polarização vista em 2022, com a disputa concentrada em dois nomes e alta rejeição mútua. A análise é de Rafael Cortez, cientista político e sócio da Tendências Consultoria, uma das mais respeitadas do país.

Em entrevista ao podcast Radar Eleitoral, da Bloomberg Línea, Cortez argumenta que a eleição será decidida por uma margem estreita, com cada voto sendo crucial. A tese é que fatores estruturais, e não as flutuações momentâneas das pesquisas de intenção de voto, ditam o ritmo da disputa, tornando o roteiro de 2026 um espelho do pleito anterior.

O peso da estrutura

O pilar central do argumento de Cortez é a baixa volatilidade do eleitorado. Grande parte dos votantes já tem posições consolidadas, com pouca propensão a mudar de candidato. Isso cria dois blocos sólidos e diminui o espaço para o crescimento de uma terceira via com fôlego para romper a polarização, um desafio que se mostrou intransponível em 2022.

A eleição passada serviu como um laboratório para este fenômeno. A campanha foi marcada mais pela mobilização das bases existentes e pela rejeição ao adversário do que pela conquista de novos eleitores indecisos. A leitura da Tendências é que este padrão se mantém, solidificando a dinâmica de dois polos antagônicos que se retroalimentam.

A margem apertada

A consequência direta dessa rigidez eleitoral é uma disputa decidida no detalhe. “É muito difícil escapar da conclusão de que essa eleição vai ser parecida com a de 2022: um segundo turno com uma vantagem apertada, com cada voto contando”, afirmou Cortez à Bloomberg Línea. A previsibilidade do cenário geral não diminui a tensão; pelo contrário, a intensifica.

Para empresas e investidores, o cenário aponta para uma continuidade da incerteza política até o último minuto, exigindo um planejamento de cenários que contemple uma transição de poder decidida por uma diferença mínima. Os temas que mobilizam os eleitores também devem permanecer os mesmos, girando em torno de economia, costumes e a avaliação do governo vigente.

A análise da Tendências não é uma previsão de resultado, mas um diagnóstico da arena de batalha. Com as regras do jogo já estabelecidas por essa inércia estrutural, a questão que fica não é se a eleição será polarizada, mas qual dos lados conseguirá mobilizar sua base com mais eficiência e conquistar a fração de eleitores que, ainda assim, definirá o pleito.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Bloomberg Línea