A gigante do varejo britânica Tesco iniciou um movimento significativo em sua infraestrutura de TI, optando pela substituição da plataforma de virtualização VMware por Proxmox em suas lojas e sistemas de borda. A decisão foi evidenciada por um anúncio de vaga para a posição de Head de Engenharia de Software: Plataforma de Borda, que detalha as prioridades da empresa.

O cargo envolve a liderança de duas frentes: a modernização da infraestrutura de virtualização de borda da Tesco, migrando de VMware para Proxmox, e a construção de uma plataforma de gerenciamento de borda robusta e escalável. Essa plataforma será responsável pelo provisionamento, gestão, monitoramento e manutenção de toda a infraestrutura de borda ao longo de seu ciclo de vida. A importância dessa iniciativa é sublinhada pela descrição da vaga, que aponta que a Plataforma de Borda da Tesco "fornece o ambiente de computação subjacente e as capacidades de software que permitem que os aplicativos rodem em nossas lojas".

A necessidade de dependabilidade tecnológica em ambientes de varejo é crítica. A tecnologia das lojas precisa permanecer funcional mesmo diante de interrupções de conectividade, recursos locais limitados e a complexidade inerente ao gerenciamento de mudanças de software e infraestrutura em milhares de locais. Falhas ou implementações mal executadas podem impactar diretamente as operações das lojas, a produtividade dos colaboradores e a experiência do cliente. O profissional que assumir a vaga terá a responsabilidade de definir a estratégia de engenharia e executar a migração da Tesco de VMware para Proxmox em toda a infraestrutura de borda, visando entregar uma plataforma de virtualização segura, confiável e de custo-benefício superior. A atuação será baseada em Bengaluru, na Índia.

Um dos principais indicadores de sucesso (KPI) para esta migração é a "migração segura e previsível de VMware para Proxmox, validação bem-sucedida das configurações de loja necessárias, redução de dependências legadas e repasse operacional eficaz". Proxmox é uma plataforma de virtualização open-source desenvolvida por uma empresa austríaca que tem ganhado tração como alternativa à VMware, especialmente em cenários de virtualização de borda, hiperconvergência e virtualização básica de servidores. A empresa busca expandir sua atuação para se tornar uma concorrente no mercado de data centers definidos por software.

Analistas do setor, como Michael Warrilow, consideram o Proxmox tecnicamente robusto. No entanto, até recentemente, a empresa oferecia suporte apenas durante o horário comercial na Áustria, o que exigia que os usuários buscassem parceiros de suporte locais. Essa limitação foi abordada em setembro, quando a Proxmox anunciou suporte 24/7 para clientes corporativos. Warrilow observa que a modernização é fundamental para reduzir a dependência de soluções como a VMware, minimizando o legado enquanto se agrega valor a novas iniciativas. Ele sugere que supermercados e varejistas em geral são ambientes propícios para essa transição, especialmente porque a VMware enfrentava maior concorrência e menor diferenciação nesse segmento. A especificação da vaga da Tesco, segundo ele, contém os elementos para uma experiência de loja de próxima geração inspirada na nuvem, com infraestrutura "programável" via API para implantação rápida e melhor experiência ao cliente.

A Tesco opera mais de 5.000 lojas globalmente. Rumores indicam que a empresa poderá adotar o Hyper-V da Microsoft para suas cargas de trabalho principais, enquanto a VMware, por sua vez, ainda não considera a Tesco um cliente perdido. A decisão da Tesco de migrar para Proxmox ocorre em um contexto de litígio com a VMware. A varejista alega que a VMware está obrigada a dar suporte a softwares adquiridos sob licença perpétua e a realizar atualizações específicas. A VMware contesta, afirmando que não fabrica mais o software que a Tesco deseja atualizar. Relatos indicam que, durante negociações, a VMware propôs um aumento de preço de 175%. O caso ainda está em andamento nos tribunais, com audiências previstas para 2027. A VMware também enfrenta um processo similar contra empresas Siemens, alegando abuso de direitos autorais pelo uso de mais software do que o licenciado. Em um desenvolvimento positivo para a VMware, a empresa anunciou recentemente um acordo de dez anos com a operadora japonesa NTT Docomo e a continuidade de seu engajamento com a FedEx, ambas utilizando o pacote Cloud Foundation da VMware para suas operações.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · The Register