A gestora de ativos alternativos Tikehau Capital está ajustando sua estratégia de alocação, reduzindo a exposição de seu fundo Tikehau International Cross Assets às gigantes de tecnologia. Após realizar lucros de forma seletiva, a gestora está redirecionando o capital para empresas dos setores de saúde, indústria e consumo básico.
O movimento, reportado pela Forbes España, sinaliza uma recalibragem tática após o forte desempenho das ações de tecnologia, impulsionado em grande parte pela narrativa da inteligência artificial. A leitura é que a Tikehau busca agora diversificar os ganhos e diminuir a dependência de um único tema de mercado, optando por teses de investimento com perfis de risco-retorno que considera mais balanceados.
Realizando lucros, diversificando o risco
De acordo com os gestores do fundo, Jean-Marc Delfieux e Clovis Couasnon, a decisão visa aumentar a diversificação da carteira e investir em companhias com uma maior independência em relação à evolução do tema de IA. A estratégia é um movimento clássico de gestão de portfólio: capitalizar sobre uma alta expressiva para rotacionar o capital para ativos de qualidade que talvez não tenham participado da mesma euforia.
Na prática, a gestora aumentou posições em nomes estabelecidos e líderes em seus segmentos. No setor de saúde, as escolhidas foram Thermo Fisher e Agilent. Em indústria, os aportes foram direcionados para Ametek e Assa Abloy. No setor de consumo básico, a aposta foi na Unilever. São empresas que, em geral, apresentam fluxos de caixa mais previsíveis e menor volatilidade que o setor de tecnologia.
A aposta que permanece
Apesar da rotação para fora de tech, o setor financeiro continua sendo a maior alocação do fundo, com um peso de 32,2% na carteira ao final de julho. A convicção da Tikehau no setor se baseia em fundamentos que os gestores consideram sólidos e em uma dinâmica de mercado que permanece favorável.
Essa exposição não é monolítica. A maior parte, 27,7%, está alocada em crédito. O restante se divide em posições diretas em empresas como Visa e S&P Global, além de futuros do índice Euro Stoxx Banks. Isso demonstra uma visão estrutural sobre o setor financeiro, que vai além de uma simples aposta em bancos, englobando serviços de pagamento, infraestrutura de mercado e instrumentos de dívida.
O movimento da Tikehau não é um abandono do crescimento, mas uma recalibragem prudente. Reflete uma questão central para investidores globais: após a corrida das big techs, onde está o valor? Para esta gestora, a resposta parece ser um portfólio mais equilibrado entre a economia tradicional e uma forte, porém diversificada, aposta no setor financeiro.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España



