No início de julho, a campanha de Donald Trump propôs uma nova regra para dificultar a criação de futuros mandatos de eficiência energética para eletrodomésticos. O movimento, reportado pela revista Fast Company, é o mais recente capítulo de uma longa ofensiva contra políticas de conservação de energia.

A medida não é apenas técnica; é um gesto político com timing agudo. O custo da energia nos EUA dispara, impulsionado por tensões geopolíticas como a guerra no Irã, pela demanda crescente de data centers de inteligência artificial e por ondas de calor que sobrecarregam a rede. A proposta de Trump coloca uma agenda ideológica em rota de colisão direta com o bolso do consumidor.

Uma cruzada contra o bom senso econômico

A hostilidade de Donald Trump à eficiência energética não é nova. Durante seu mandato, ele tentou extinguir o programa Energy Star — que certifica aparelhos eficientes e economiza US$ 40 bilhões anuais aos americanos — e reverteu padrões para lâmpadas, aquecedores de água e até chuveiros.

Os números mostram o que está em jogo. Segundo o Departamento de Energia dos EUA, códigos de eficiência em edificações geraram uma economia de mais de US$ 44 bilhões entre 1992 e 2012. Ignorar esses dados em nome de uma suposta "liberdade" para consumir mais energia é ignorar um benefício econômico direto para as famílias e uma ferramenta comprovada para reduzir emissões de gases de efeito estufa.

O preço da instabilidade regulatória

Paradoxalmente, a desregulamentação pode gerar custos. A indústria, segundo especialistas ouvidos pela reportagem, despreza a instabilidade. Fabricantes que já adaptaram suas linhas de produção para lâmpadas LED, por exemplo, não têm mais a cadeia de suprimentos para voltar a produzir as antigas incandescentes. A mudança, em qualquer direção, tem um preço.

Essa instabilidade regulatória chega no pior momento. A Agência Internacional de Energia prevê que os data centers responderão por quase metade do crescimento da demanda elétrica nos EUA até 2030. Com a rede já pressionada, dificultar a adoção de tecnologias mais eficientes parece uma aposta contra a própria segurança energética do país.

No fim, a briga sobre a eficiência de uma geladeira ou de uma lâmpada é menos sobre o aparelho em si e mais sobre visões de mundo. De um lado, uma defesa da desregulamentação como princípio. Do outro, a realidade de que a eficiência é, hoje, uma ferramenta pragmática para a resiliência econômica e climática. A conta dessa disputa, invariavelmente, chega para o cidadão.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fast Company