A Tubos Reunidos contesta a interpretação de um informe europeu que indicaria a impossibilidade de uma quita (perdão) da dívida com a SEPI, entidade estatal espanhola. Segundo a companhia, o parecer não possui caráter vinculante e não representa a posição final da Comissão Europeia. A disputa envolve um passivo de aproximadamente 150 milhões de euros, que os potenciais compradores da empresa relutam em assumir.
Em comunicado interno à força de trabalho, a Tubos Reunidos detalhou as negociações em curso. A administração da empresa e a administração concursal se reuniram com os comitês de empresa para discutir a evolução da atividade e a situação financeira. Cinco ofertas foram selecionadas para a próxima fase do processo de venda. A entrada de pedidos nos primeiros 20 dias de outubro atingiu cerca de 15 milhões de euros, um aumento de 105% em relação ao mesmo período de 2025, com 85% dos pedidos destinados ao mercado americano, provenientes principalmente da planta de Amurrio.
Otimismo cauteloso com a entrada de pedidos
A empresa vê esse aumento na entrada de pedidos como um sinal encorajador, indicando que os preços do tubo de aço sem solda nos EUA subiram o suficiente para motivar importações, inclusive de tubos de casing, um dos produtos tradicionais da Tubos Reunidos. Esse cenário, segundo a companhia, reforça sua capacidade industrial e comercial perante os potenciais compradores. Contudo, a Tubos Reunidos reconhece que a situação ainda apresenta desafios significativos. A necessidade de dispor de fundos para fabricar e entregar esses pedidos em tempo hábil é crucial. Apesar da melhora na entrada de pedidos, a faturação total permanece abaixo dos níveis de 2025, e a tesouraria continua apertada.
Desafios financeiros e pagamentos futuros
A empresa confirmou o pagamento da paga extraordinária de Trápaga em outubro, seguindo o exemplo de Amurrio em setembro. No entanto, os pagamentos futuros dependerão da geração de caixa proveniente da atividade produtiva. A Tubos Reunidos não descarta a possibilidade de atrasos pontuais no pagamento de salários ou das pagas extraordinárias de dezembro. A administração busca manter a clareza e a transparência com os trabalhadores sobre essa complexa situação financeira, prometendo atualizações constantes.
A questão da dívida com a SEPI e a posição dos compradores
A administração concursal apresentou ao tribunal seus relatórios sobre as sociedades em processo de recuperação. Um ponto central nas negociações é a dívida com a SEPI. Nenhum dos potenciais compradores solicitou a condenação dessa dívida; pelo contrário, a exigência é que ela não seja transferida às unidades produtivas adquiridas. A SEPI, por sua vez, defende que a dívida seja assumida pelas unidades transmitidas. O informe preliminar da Direção-Geral de Concorrência da Comissão Europeia, que sugere a ilegalidade de uma quita, é visto pela Tubos Reunidos como não vinculante.
Implicações legais e estruturais
Os relatórios da administração concursal classificam a dívida da SEPI como subordinada, por se tratar de um empréstimo participativo. Essa classificação, se confirmada pelo tribunal, implicaria que a dívida não seria transferida com as unidades produtivas. Há também necessidade de ajustes na planta de Iruña de Oca, com cerca de 60 funcionários, devido à falta de pedidos recentes, o que será negociado com os trabalhadores. A planta está parada desde antes do verão, sem previsão de carga de trabalho em função de um pedido canadense não concretizado.
Próximos passos e incertezas
O processo de venda da Tubos Reunidos continua avançando, com a apresentação das ofertas finais prevista para o início de dezembro. As próximas semanas envolverão perguntas dos ofertantes à direção e reuniões voluntárias com a representação dos trabalhadores. A administração concursal avaliará e hierarquizará as propostas. A empresa reafirma o objetivo de manter a normalidade operacional, cumprir com os clientes e preservar o valor da Tubos Reunidos para encontrar a melhor solução possível. Contudo, decisões importantes ainda precisam ser tomadas, e o desfecho da questão da dívida com a SEPI permanece como um ponto crítico.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España




