A TUI, uma das maiores empresas de turismo do mundo, revisou suas previsões financeiras para o exercício fiscal de 2026, ajustando seu lucro operacional subjacente (Ebit) para uma faixa entre €1,2 bilhão e €1,3 bilhão. Este valor representa uma queda em relação aos €1,413 bilhão registrados em 2025, num cenário marcado pela persistente incerteza geopolítica no Oriente Médio e pela tendência de contratações de viagens em cima da hora. A decisão do CEO Sebastian Ebel de refinar o intervalo de projeção, que anteriormente oscilava entre €1,1 bilhão e €1,4 bilhão, reflete os desafios enfrentados pela companhia.
Impacto da Guerra e Contratações Tardias
A instabilidade no Oriente Médio, intensificada pelo conflito no Irã, teve um impacto direto nas operações da TUI, particularmente em sua divisão de cruzeiros. Dois navios da TUI Cruises ficaram retidos na região, levando muitos clientes a adiar seus planos de férias. Em resposta, a empresa implementou uma estratégia de contenção, reduzindo sua capacidade de risco em 5%. Essa medida contribuiu para uma queda de 5% nas receitas de reservas para a temporada de verão, após um recuo anterior de 6% registrado até agosto. Apesar disso, as reservas nas últimas quatro semanas apresentaram um leve aumento de 2%, ajudando a mitigar a queda em mercados-chave como Reino Unido (-7%) e Alemanha (-2%).
Desempenho por Divisões Operacionais
Em contraste com os desafios na divisão de cruzeiros, o segmento de Hotéis e Resorts da TUI demonstrou resiliência. As tarifas mantiveram uma trajetória ascendente, com um aumento de 4% no quarto trimestre e uma projeção de 1% para o primeiro semestre de 2027. As noites de cama disponíveis cresceram 1% no quarto trimestre, mesmo com o impacto de um furacão na Jamaica, e a ocupação permaneceu próxima aos níveis do ano anterior. Destinos como as Ilhas Canárias, Egito, Cabo Verde e o Caribe lideraram as reservas. Na atividade de Cruzeiros, a frota foi expandida com a adição de uma nova embarcação, elevando os dias de cruzeiro disponíveis em 12% no quarto trimestre. Contudo, a ocupação para o primeiro semestre de 2027 está seis pontos percentuais abaixo do ano anterior, devido ao atraso na comercialização de rotas reprogramadas após a crise iraniana.
Perspectivas para o Inverno e Mercados Emissores
Para a temporada de inverno 2026/2027, a TUI não vislumbra uma reversão completa da tendência de contratações tardias. As receitas reservadas estão atualmente 7% abaixo do ano anterior, com quedas de 9% no mercado britânico e 4% no alemão. No entanto, a aceleração nas reservas recentes sugere uma recuperação, com os rendimentos deste período apenas 1% abaixo dos níveis do inverno anterior e preços médios de venda estáveis. O programa de inverno manterá o foco em destinos consolidados como as Ilhas Canárias, Espanha continental, Egito e Cabo Verde, além de rotas de longa distância como Tailândia, México e República Dominicana.
Perguntas em Aberto e o Futuro do Turismo
A revisão das projeções da TUI sublinha a fragilidade do setor de turismo diante de eventos geopolíticos e mudanças no comportamento do consumidor. A capacidade da empresa em gerenciar os riscos e adaptar sua oferta a um cenário de incertezas será crucial. A persistência da contratação tardia e a volatilidade em mercados-chave exigirão estratégias ágeis e um monitoramento constante das tendências de viagem. A recuperação completa dependerá não apenas da estabilização geopolítica, mas também da confiança renovada dos consumidores em planejar e realizar suas viagens.
A TUI enfrenta um período desafiador, onde a gestão de riscos e a adaptação às novas dinâmicas de mercado serão determinantes para a sua performance futura, num setor intrinsecamente ligado à estabilidade global. Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





