Nova Deli, a capital da Índia, foi anunciada como sede da cúpula anual do Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC) em 2027, sucedendo Malta, que sediou a edição de 2026. O anúncio foi feito pelo presidente do WTTC, Manfredi Lefebvre d’Ovidio, durante o encerramento do evento em La Valeta, que reuniu cerca de mil participantes, incluindo líderes empresariais e governamentais do setor.
O WTTC, que representa o setor privado de viagens e turismo global, escolheu a Índia, um país onde o setor contribui significativamente para o PIB e o emprego. A escolha reflete a crescente importância do mercado indiano e sua capacidade de sediar eventos de grande porte. A cúpula em Malta contou com a presença de figuras proeminentes como o primeiro-ministro de Malta, Robert Abela, e o ex-primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, além de executivos de grandes redes hoteleiras e companhias aéreas.
A IA no Turismo: Otimização e Experiência
Um dos temas centrais abordados na cúpula foi o impacto da Inteligência Artificial (IA) no setor. Gloria Guevara, CEO do WTTC, destacou em entrevista como a IA já está sendo utilizada para reduzir custos operacionais, citando exemplos de companhias aéreas que conseguiram diminuir despesas em até 40% com sua implementação. A IA também se mostra uma ferramenta valiosa para aprimorar a experiência do viajante, auxiliando na elaboração de roteiros personalizados e na descoberta de interesses específicos, como em visitas a museus.
Essa capacidade de otimização e personalização sugere um futuro onde a tecnologia desempenha um papel cada vez mais integrado nas operações de viagem. Desde sistemas de reserva mais eficientes até recomendações customizadas, a IA promete remodelar a forma como as pessoas planejam e vivenciam suas jornadas, tornando o processo mais fluido e adaptado às preferências individuais.
O Fator Humano: Emprego e Serviço Insusbstituível
Contudo, Guevara fez questão de ressaltar uma distinção fundamental entre o impacto da IA no turismo e em outros setores. Ao contrário de áreas como o direito ou as finanças, onde a automação tem levado à redução de postos de trabalho, o WTTC acredita que a IA não terá o mesmo efeito no turismo. A premissa é que a essência do setor de viagens reside na prestação de serviços e na interação humana.
“Quando um passageiro entra em um avião, ele não quer que a IA pilote. Ao pegar um táxi, deseja conversar com as pessoas”, exemplificou Guevara. Essa visão sublinha a importância insubstituível do toque humano na hospitalidade e no atendimento ao cliente. A expectativa é que, em vez de eliminar empregos, a IA atue como uma ferramenta de apoio, liberando os profissionais para se concentrarem em aspectos que exigem empatia, criatividade e resolução de problemas complexos, elementos que a IA ainda não consegue replicar.
Implicações para o Mercado Brasileiro
A perspectiva do WTTC sobre a IA no turismo pode ter implicações significativas para o Brasil, um país com forte vocação turística e um mercado de trabalho que se beneficia da geração de empregos no setor. A adoção estratégica da IA pode impulsionar a competitividade das empresas brasileiras, tanto no mercado doméstico quanto internacional, ao otimizar operações e aprimorar a experiência do turista.
No entanto, é crucial que essa transição tecnológica seja acompanhada por políticas que garantam a valorização do capital humano. O foco deve ser na requalificação profissional, capacitando os trabalhadores para atuarem em conjunto com as novas tecnologias, e não para serem substituídos por elas. A combinação de eficiência tecnológica com o calor humano pode ser o diferencial para o turismo brasileiro.
Perguntas em Aberto
Embora o otimismo prevaleça quanto à geração de empregos, algumas questões permanecem em aberto. Como exatamente a IA será integrada para complementar, e não substituir, o trabalho humano no turismo? Quais serão os investimentos necessários em treinamento e desenvolvimento para que os profissionais brasileiros possam se adaptar a essa nova realidade? E como garantir que os benefícios da IA sejam distribuídos de forma equitativa entre empresas e trabalhadores?
A resposta a essas perguntas definirá o futuro do emprego no setor de turismo, moldando uma indústria que busca equilibrar inovação tecnológica com a sua natureza intrinsecamente humana. O debate sobre o papel da IA no turismo está apenas começando, e suas ramificações serão sentidas por anos.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





