A Uber está demitindo 93 funcionários baseados no estado de Washington, em um movimento que atinge em cheio seu centro de engenharia em Seattle. As posições eliminadas incluem engenheiros de software, gerentes de produto, cientistas de dados e até um diretor de engenharia, segundo reportagem do GeekWire.
Os cortes são parte de uma reestruturação global mais ampla, que deve eliminar cerca de 3.300 postos corporativos, ou 10% da força de trabalho da companhia. A tese por trás do movimento, segundo o CEO Dara Khosrowshahi, é criar uma organização mais ágil e menos burocrática, atacando diretamente a gestão intermediária e consolidando equipes pequenas.
A burocracia como alvo
Em um memorando enviado aos funcionários, Khosrowshahi enquadrou a reestruturação como um esforço para "achatar" as estruturas de reporte e eliminar o que chamou de "micro-equipes". A leitura é que, para a liderança da Uber, a velocidade de execução foi comprometida pelo inchaço gerencial, um efeito colateral comum em big techs durante o ciclo de crescimento acelerado da última década. Ao mirar em posições técnicas e de gestão, a empresa não está apenas cortando custos, mas redesenhando seu fluxo de trabalho.
A decisão de sacrificar talentos sênior em um hub estratégico como Seattle, estabelecido em 2015 para competir por profissionais com Amazon e Microsoft, sugere que a prioridade mudou. A eficiência operacional e a rapidez na tomada de decisão agora superam a necessidade de manter estruturas robustas, mesmo que isso signifique perder capital intelectual valioso. O capital economizado, segundo o CEO, será reinvestido em operações centrais, incluindo parcerias para veículos autônomos.
O fim da era remota
A reestruturação vem acompanhada de uma mudança drástica na política de trabalho. A Uber está limitando o trabalho totalmente remoto a menos de 1% de sua força de trabalho, exigindo que a maioria dos funcionários se mude para perto de seus principais escritórios, como São Francisco e Nova York. A medida representa um rompimento com a flexibilidade que marcou a era da pandemia e coloca a empresa em linha com outras gigantes de tecnologia que agora exigem a volta ao escritório.
Para o hub de Seattle, o sinal é misto. Embora continue sendo um centro de engenharia, os cortes e a nova política de trabalho podem diminuir sua importância estratégica em favor de uma maior centralização. A mensagem é clara: a Uber de 2026 busca ser uma empresa mais enxuta, centralizada e presencial, mesmo que isso signifique desfazer parte do legado de expansão e flexibilidade construído nos últimos anos.
O movimento da Uber reflete uma tensão crescente no setor de tecnologia: o equilíbrio entre a disciplina operacional exigida pelo novo cenário macroeconômico e a cultura de trabalho que atrai e retém talentos. As demissões em Seattle são um microcosmo dessa recalibragem estratégica, com consequências diretas para a forma como a inovação é gerenciada.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · GeekWire





