O mercado reagiu com cautela ao relatório do UBS BB sobre a MRV&Co, que resultou em uma queda de aproximadamente 5% nas ações da companhia durante a sessão desta quarta-feira. O banco suíço rebaixou a recomendação do papel de compra para neutra e realizou um corte expressivo no preço-alvo, reduzindo a estimativa de R$ 12 para R$ 7.
O movimento reflete um cenário macroeconômico mais desafiador para o setor de construção civil no Brasil, somado à persistência de riscos operacionais na Resia, braço imobiliário do grupo nos Estados Unidos. A análise, segundo o documento, aponta para uma mudança na tese de investimento, deslocando o foco da geração de caixa para a capacidade de expansão de lucros sob juros elevados.
Juros altos e margens sob pressão
A tese do UBS BB baseia-se em uma revisão das expectativas para a política monetária brasileira. O banco agora projeta uma taxa Selic de 13,5% ao final de 2026, superando a estimativa anterior de 12%, além de uma inflação esperada de 4,8%. Esse ambiente de juros altos por mais tempo limita a velocidade de desalavancagem da MRV&Co e pressiona o custo financeiro da operação.
Como resultado direto, as projeções de lucro líquido para a operação brasileira da companhia foram revisadas para baixo. O banco estima agora um lucro de R$ 650 milhões para 2026 e R$ 854 milhões para 2027, valores que representam quedas de 34% e 31% em relação às previsões anteriores da casa.
O desafio da operação americana
A subsidiária Resia continua sendo um ponto central de preocupação na análise do UBS BB. O braço imobiliário nos Estados Unidos enfrenta dificuldades com o ritmo lento de locação, aluguéis efetivos abaixo das expectativas e custos financeiros elevados, o que gera baixa visibilidade sobre a recuperação dos resultados.
O banco projeta prejuízos líquidos para a Resia em 2026 e 2027, mesmo considerando a venda de ativos específicos. Além disso, a possibilidade de novos impairments, estimados em até US$ 140 milhões, foi incorporada aos modelos, reforçando a necessidade de a companhia acelerar a venda de terrenos e empreendimentos em condições de mercado desfavoráveis.
Necessidade de liquidez via recebíveis
Outro ponto de atenção é a dependência da venda de recebíveis para garantir a liquidez de curto prazo. O UBS BB elevou suas projeções para esse mecanismo, estimando que a MRV&Co precisará alienar cerca de R$ 2,1 bilhões em 2026 e R$ 1,8 bilhão em 2027 para cumprir compromissos financeiros, um volume superior ao antecipado anteriormente.
Embora o banco reconheça que a operação brasileira mantém uma geração de caixa positiva e fundamentos operacionais em evolução, a complexidade da estrutura consolidada diminuiu a atratividade do papel. Em comparação com concorrentes como Tenda e Plano&Plano, a relação risco-retorno da MRV&Co é vista como menos favorável no momento.
Perspectivas futuras do setor
O mercado agora observa como a companhia conduzirá seu processo de desmonte da Resia, que prevê a venda de US$ 800 milhões em ativos. A incerteza sobre o impacto dessas transações nas margens futuras permanece como um fator determinante para a confiança dos investidores.
O setor de construção enfrenta um período de ajuste, onde a previsibilidade de resultados ganha peso sobre o potencial de crescimento. A capacidade da MRV&Co de navegar por esse ciclo de juros altos, enquanto resolve os gargalos operacionais nos EUA, será o principal indicador a ser monitorado pelo mercado nos próximos trimestres.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





