A Ucell, uma das maiores operadoras de telefonia móvel do Uzbequistão, concluiu a implementação de uma solução de rede baseada em inteligência artificial desenvolvida pela ZTE. O projeto foca na otimização energética de toda a infraestrutura de rádio da operadora, utilizando algoritmos para ajustar o consumo de energia em tempo real conforme os padrões de tráfego de dados. Segundo a empresa, a tecnologia permitiu um aumento de 10,6% na eficiência energética, medida pela relação entre o volume de dados entregues e o consumo de eletricidade por quilowatt-hora.

O movimento destaca a crescente pressão sobre operadoras globais para reduzir a pegada de carbono e os custos operacionais em um cenário de demanda crescente por conectividade. Ao integrar inteligência de rede, a Ucell busca demonstrar que é possível manter a qualidade do serviço ao usuário final enquanto se automatiza o desligamento de componentes de rede durante períodos de baixa demanda, uma prática que se torna central para a sustentabilidade do setor.

Mecanismos de inteligência distribuída

A solução da ZTE opera sob uma arquitetura de computação distribuída com dois níveis de inteligência. No primeiro nível, a IA atua na previsão de tráfego e na orquestração de estratégias em escala de rede. No segundo, a inteligência é aplicada diretamente nas estações rádio-base para execução em tempo real e monitoramento de desempenho. Esse sistema permite técnicas multidimensionais de economia, como o desligamento seletivo de símbolos, canais, portadoras e equipamentos completos.

O grande desafio técnico, contudo, reside na configuração autônoma dessas estratégias. Através de aprendizado de máquina, o sistema é continuamente otimizado para equilibrar a economia de energia com a performance. Para mitigar riscos, a solução monitora indicadores-chave de desempenho (KPIs) de forma ininterrupta, revertendo automaticamente os modos de economia caso qualquer limiar de qualidade seja ultrapassado, garantindo assim a continuidade do serviço.

Impacto operacional e financeiro

Para a Ucell, a adoção desta tecnologia representa uma convergência entre transformação digital e responsabilidade ambiental. A redução direta nos gastos com eletricidade impacta diretamente o EBITDA da operação, tornando a rede não apenas mais verde, mas também mais eficiente do ponto de vista financeiro. Em mercados emergentes, onde o custo da energia pode representar uma parcela significativa das despesas operacionais, essa otimização ganha contornos críticos para a viabilidade do negócio.

Além do ganho financeiro, a implementação serve como um benchmark para o ecossistema de telecomunicações na Ásia Central. A capacidade de escalar soluções de IA de forma granular, sem comprometer a experiência do usuário, é o principal atrativo para outras operadoras que enfrentam desafios similares de infraestrutura e custos de energia em mercados vastos e geograficamente complexos.

Perspectivas para a infraestrutura inteligente

Embora o resultado de 10,6% seja expressivo, a eficácia a longo prazo dependerá da capacidade de adaptação dos algoritmos a mudanças drásticas nos padrões de consumo de dados dos usuários. À medida que o tráfego 5G e as novas aplicações de baixa latência se tornam predominantes, a complexidade da orquestração de energia tende a aumentar, exigindo modelos de IA cada vez mais precisos e menos suscetíveis a falhas de predição.

O setor de telecomunicações observa atentamente se essa abordagem de rede verde será adotada como padrão em novos contratos de fornecimento. A questão que permanece é se a automação inteligente conseguirá manter esse ritmo de eficiência à medida que a densidade das redes aumenta, ou se novos limites físicos e lógicos começarão a restringir os ganhos proporcionados pela IA.

O sucesso da Ucell no Uzbequistão reforça a tendência de que a eficiência energética deixou de ser uma meta secundária de ESG para se tornar uma peça central na arquitetura de rede moderna. O mercado agora aguarda para ver como essa tecnologia será replicada em outros mercados globais.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · The Register