A Unión de Créditos Inmobiliarios (UCI), joint venture hipotecária controlada pelo Banco Santander e pelo BNP Paribas, anunciou a nomeação de duas novas conselheiras dominicais para o seu conselho de administração. A decisão expande a composição do órgão de governança, que passa a contar com oito membros, conforme comunicado oficial divulgado pela companhia.
As novas integrantes são Catalina Mejía García, atual diretora financeira do Banco Santander Espanha, e Ahlam Lamzaouek, diretora de Estratégia da BNP Paribas Personal Finance na França. A mudança altera a configuração anterior do conselho, que era composto exclusivamente por seis homens, reforçando a presença feminina em cargos de decisão estratégica na estrutura da empresa.
Governança e representatividade
A entrada de Mejía e Lamzaouek reflete uma tendência crescente no setor financeiro europeu, onde a pressão por maior diversidade nos conselhos de administração tem ganhado tração regulatória e institucional. A UCI estabeleceu metas claras para o futuro, projetando que um terço das posições no conselho seja ocupado por mulheres após a próxima nomeação de uma conselheira independente. O objetivo de longo prazo da companhia é atingir 40% de representatividade feminina até o ano de 2029.
Historicamente, o conselho da UCI era marcado por uma estrutura majoritariamente masculina, composta pelo presidente Matías Pedro Rodríguez Inciarte, além dos conselheiros Michel Falvert, Sergio Tomás Gámez Martínez, Eric Henri Klesta, Jean François George Marie Deullin e Eduardo Suárez Álvarez-Novoa. A transformação atual sugere uma tentativa de alinhar a governança da joint venture às práticas de ESG (Ambiental, Social e Governança) adotadas globalmente pelas suas controladoras.
Perfil das novas conselheiras
As nomeações trazem competências técnicas complementares para a UCI. Catalina Mejía possui uma trajetória de duas décadas no Banco Santander, com passagens por posições estratégicas como a diretoria financeira e de tesouraria em operações internacionais, além de gestão de ativos e passivos. Sua experiência em políticas corporativas traz uma visão robusta sobre a estabilidade financeira da instituição.
Por sua vez, Ahlam Lamzaouek aporta um background jurídico e de conformidade normativa relevante para o setor. Anteriormente diretora jurídica internacional na BNP Paribas Personal Finance, ela coordenou operações em diversos continentes, incluindo América Latina e África, além de ter liderado frentes de prevenção à lavagem de dinheiro e gestão de riscos regulatórios. A expertise de ambas é estratégica para navegar no ambiente de crédito imobiliário, que exige constante adaptação normativa.
Implicações para o ecossistema financeiro
O movimento de reestruturação do conselho da UCI sinaliza para o mercado que a governança em empresas de capital compartilhado está sob escrutínio constante. A integração de executivas de alto nível das controladoras, Santander e BNP Paribas, reforça o alinhamento entre a estratégia das matrizes e a execução da joint venture. Para os stakeholders, essa mudança pode indicar uma maior integração operacional e uma gestão de riscos mais vigilante.
No Brasil, onde a cultura de governança corporativa em instituições financeiras também passa por transformações, o caso da UCI serve como um paralelo sobre como a diversidade pode ser utilizada para oxigenar conselhos. A transição de um conselho puramente técnico-masculino para uma composição mais equilibrada é um passo que muitos bancos brasileiros têm buscado em suas agendas de sustentabilidade.
Perspectivas futuras
O mercado aguarda agora o anúncio da próxima conselheira independente, que será fundamental para consolidar a meta de um terço de representação feminina. A eficácia dessa nova estrutura dependerá de como a diversidade de perspectivas se traduzirá em decisões estratégicas de crédito e expansão de mercado nos próximos anos.
Acompanhar a evolução das metas de 2029 será o próximo passo para entender se a mudança na governança da UCI resultará em alterações significativas na cultura corporativa da empresa. A transição apenas começou e o impacto real no modelo de negócio da joint venture ainda é uma questão em aberto.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





