Imagens de satélite confirmaram danos em um centro espacial russo em Samara, a mais de 800 quilômetros da fronteira, após um ataque ucraniano no último fim de semana. Segundo reportagem do Business Insider, que obteve as imagens da empresa de inteligência espacial Vantor, uma perfuração é visível no teto de um dos edifícios do Progress Rocket Space Center.

O alvo não foi aleatório. A instalação, parte da estatal Roscosmos, é o coração da produção dos foguetes da família “Soyuz”. Estes veículos são essenciais para lançar os satélites da rede Rassvet, o projeto russo para criar uma alternativa ao Starlink da SpaceX. O ataque é um golpe direto na tentativa de Moscou de construir sua própria constelação de internet em órbita baixa, uma capacidade que se provou decisiva no campo de batalha moderno.

A corrida pela conectividade no front

A guerra na Ucrânia demonstrou a importância estratégica de uma rede de comunicação resiliente e distribuída. O Starlink se tornou a espinha dorsal das operações ucranianas, garantindo a comunicação para unidades no front e, crucialmente, o controle de drones em um ambiente de intensa guerra eletrônica. Após um período em que as próprias tropas russas utilizaram o serviço, a SpaceX, pressionada por Kiev, desabilitou os terminais em posse do exército invasor.

Essa dependência forçou a Rússia a acelerar seu próprio programa, o Rassvet, que visa construir uma constelação com centenas de satélites. O ataque ao centro de produção dos foguetes Soyuz é uma tentativa de sabotar esse esforço na origem. A empresa ucraniana Fire Point, fabricante do míssil utilizado, afirma que a instalação é a única a produzir os foguetes Soyuz-2, e que os reparos podem levar meses, embora a extensão real do dano interno permaneça incerta.

O céu como alvo estratégico

O episódio ilustra uma nova fase do conflito, onde a infraestrutura que suporta as capacidades espaciais se torna um alvo militar legítimo. Além de lançar os satélites de comunicação, o centro em Samara também produz satélites de observação terrestre, usados para fins de reconhecimento, segundo as forças armadas ucranianas. A ação se insere em uma campanha mais ampla de ataques em profundidade contra bases militares, instalações de energia e centros logísticos dentro do território russo.

A mensagem é clara: a disputa não ocorre apenas em terra, mas também pela soberania na órbita baixa da Terra. A capacidade de ver, comunicar e guiar armamentos a partir do espaço é um multiplicador de força, e a infraestrutura que a sustenta é agora uma frente de batalha ativa.

O ataque em Samara não destruiu a capacidade espacial russa, mas expôs sua vulnerabilidade. A guerra pela conectividade, antes travada em protocolos e frequências, agora envolve mísseis e danos cinéticos. O controle da órbita baixa tornou-se um objetivo militar tão concreto quanto o controle de uma cidade no Donbas.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Business Insider