O estúdio de arquitetura eslovaco Oatelier concluiu um projeto residencial que serve como uma tese sobre como dialogar com o passado sem se prender a ele. Batizada de Husárik Hut, a casa de madeira está localizada em uma encosta com vista para a cordilheira de Javorníky, na Eslováquia, e se inspira nas tradicionais cabanas de pastores da região de Kysuce, segundo a revista de design e arquitetura Dezeen.

O ponto de partida, no entanto, não foi uma imagem nostálgica da arquitetura vernacular, mas os princípios estruturais contidos nela. A leitura do Oatelier é que a relevância dessas construções históricas está no uso de materiais naturais, em proporções familiares e na relação íntima com a paisagem — e não na mera reprodução de formas. O resultado é uma camada contemporânea em uma região que, embora em transformação, mantém uma forte identidade.

Princípios, não nostalgia

Em vez de simplesmente replicar a estética das cabanas, o projeto se aprofundou em sua lógica interna. Historicamente, essas moradias abrigavam várias gerações em um único grande cômodo. Essa ideia informou o desejo de manter a casa o mais aberta e conectada possível. O térreo concentra as áreas de estar, jantar e cozinha em um único ambiente, articulado por uma lareira central.

Esse espaço se expande verticalmente em um pé-direito duplo que se abre para um grande terraço, projetando a vida doméstica para a paisagem. A intenção, segundo o arquiteto Martin Kvitkovský, cofundador do estúdio, era que a casa se sentisse menos como um objeto inserido na natureza e mais como uma continuação dela.

Espaços contínuos, vida conectada

A sensação de abertura continua no primeiro andar. Em vez de um corredor que conecta quartos fechados, há um amplo vão sob o teto de duas águas, iluminado por uma claraboia. Este eixo distribui o acesso a uma série de "nichos" — um escritório e quartos que podem ser isolados com cortinas, não paredes, permitindo momentos de privacidade sem romper a conexão espacial.

A materialidade reforça essa dualidade entre o tradicional e o contemporâneo. A estrutura exposta de madeira, que define todos os interiores, é reforçada por vigas e contraventamentos finos de aço pintado. Externamente, a base é revestida com ripas de madeira horizontais, enquanto o telhado metálico de duas águas coroa a estrutura, deixando claro que a construção pertence ao presente.

O projeto da Husárik Hut se torna, assim, um estudo de caso sobre como a arquitetura pode honrar a cultura construtiva local de forma inteligente. A lição não é copiar o passado, mas extrair dele uma lógica atemporal e aplicá-la com as ferramentas e a linguagem do agora.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Dezeen