O programa espacial chinês voltou a operar em alta velocidade com dois lançamentos bem-sucedidos em menos de 24 horas no último fim de semana. A retomada ocorre menos de uma semana após a explosão em pleno voo de um foguete Longa Marcha 7A, em 10 de agosto, que resultou na perda total do veículo e de seu satélite de comunicações.
A rápida recuperação, envolvendo dois modelos de foguetes distintos a partir de bases de lançamento separadas, não é apenas um feito técnico. É uma demonstração de força sobre a maturidade e resiliência das ambições aeroespaciais de Pequim, sinalizando uma capacidade operacional que rivaliza, e em certos aspectos já supera, a cadência de programas ocidentais.
A resiliência como estratégia
O retorno foi orquestrado pela estatal CASC (China Aerospace Science and Technology Corporation). Primeiro, um foguete Longa Marcha 12, em seu sétimo voo bem-sucedido, decolou de Wenchang, no sul do país, transportando 24 satélites de internet para órbita baixa. Horas depois, a mais de 2.000 km ao norte, um Longa Marcha 2C – um modelo veterano com histórico desde 1982 – lançou um satélite para os Emirados Árabes Unidos a partir de Taiyuan.
A capacidade de absorver uma falha catastrófica e prosseguir com a agenda quase sem interrupções é a marca de uma potência espacial madura. Diferente de fases anteriores da exploração espacial, onde um único acidente poderia paralisar um programa por meses, a China demonstra possuir um portfólio de lançadores diversificado o suficiente para isolar problemas e manter o ritmo. Enquanto a investigação sobre o Longa Marcha 7A continua, o restante da frota segue operacional.
Este episódio e a resposta imediata sublinham uma nova realidade geopolítica: um revés para a China no setor espacial agora é medido em dias, não em meses ou anos. A mensagem enviada por Pequim é inequívoca. O objetivo não é apenas chegar ao espaço, mas operar no espaço com uma frequência e confiabilidade que projetam poder e influência, transformando potenciais crises em demonstrações de força. A questão não é mais se a China pode competir, mas em que ritmo ela ditará os novos termos da corrida espacial.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Space.com





