A Unión de Uniones de Agricultores y Ganaderos, em reunião realizada nesta sexta-feira no Conselho Assessor Agrário, formalizou um pedido direto ao ministro Luis Planas para que o governo espanhol adote uma postura mais incisiva na defesa da Política Agrícola Comum (PAC). A organização enfatiza a necessidade de manter a independência e o peso político da PAC como um mecanismo de estabilidade econômica indispensável para a viabilidade do setor agrário europeu.

Segundo reportagem da Forbes España, a entidade aponta como prioritária a redefinição do conceito de "agricultor profissional". O objetivo é garantir que os subsídios sejam direcionados exclusivamente a quem depende da atividade rural para sua subsistência, evitando que recursos públicos sejam desviados para grandes investidores, como o caso citado de membros da família real dos Emirados Árabes Unidos.

A disputa sobre a PAC

A negociação em torno da PAC é descrita pela organização como um processo exaustivo, mas necessário para a sobrevivência do ecossistema agrícola. Luis Cortés, coordenador estatal da Unión de Uniones, argumenta que o momento atual é crucial para estabelecer "linhas vermelhas" que impeçam a descaracterização do programa. O receio é que propostas em discussão no Parlamento Europeu e na presidência chipriota diluam o apoio aos produtores que retiram a maior parte de sua renda do campo.

O impacto dos fertilizantes

Além da estrutura política, a urgência reside no custo dos insumos. A organização exige a revisão do Decreto-Lei 7/2026 para prorrogar e ampliar o suporte ao gasóleo agrícola e recalcular os módulos de ajuda a fertilizantes. A proposta é que o governo espanhol complemente os 540 milhões de euros anunciados pela Comissão Europeia, permitindo que as comunidades autônomas também injetem recursos, o que é permitido até o limite de 200% via fundos nacionais.

Tensões na cadeia produtiva

A morosidade administrativa é apontada como um entrave fatal para o campo, que lida com volatilidade de preços e eventos climáticos extremos. A Unión de Uniones critica o compasso lento das políticas públicas frente à velocidade da crise, alertando que o setor não pode esperar por processos burocráticos que ignoram a realidade da produção. A revisão da lei da cadeia alimentar e a excepcionalidade climática nos seguros são pautas pendentes.

Perspectivas futuras

O debate permanece aberto sobre a capacidade do governo em equilibrar as exigências da União Europeia com a pressão interna por proteção social e econômica. O mercado observa se o Ministério da Agricultura conseguirá destravar os auxílios antes que o impacto econômico se torne irreversível para os pequenos e médios produtores. A eficácia dessa articulação definirá a competitividade do setor agrícola espanhol nos próximos anos.

O desenrolar dessas negociações indicará se a PAC conseguirá se adaptar aos novos desafios geopolíticos ou se o distanciamento entre a política agrícola e o produtor real continuará a crescer. A questão é saber se a urgência do campo encontrará ressonância na agenda de Bruxelas e Madrid.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España