A BlackRock, maior gestora de ativos do mundo, reduziu sua posição na Usiminas, um movimento que a levou a deter menos de 5% das ações preferenciais da siderúrgica. Em comunicado ao mercado, a empresa informou que sua participação agora é de aproximadamente 4,864% dos papéis PN, além de instrumentos derivativos. A gestora classificou a operação como de propósito “estritamente de investimento”.
O timing, contudo, é mais eloquente que a burocracia. A redução ocorre justamente quando o otimismo em torno da Usiminas arrefece. Após uma alta de mais de 70% no primeiro semestre, as ações da companhia amargam uma queda de 30% desde o pico em junho, o que representa uma perda de R$ 4 bilhões em valor de mercado. A leitura é que o dinheiro institucional começa a recalibrar suas apostas.
O fim do ciclo de alta?
A movimentação da BlackRock não é um fato isolado, mas um eco do sentimento que se consolida entre analistas. O Bradesco BBI, por exemplo, cortou o preço-alvo da ação de R$ 10 para R$ 8,50, mantendo uma recomendação neutra. Para o banco, o potencial de valorização se esgotou no curto prazo, e o segundo semestre se desenha mais complexo para a siderúrgica.
A principal preocupação reside na divisão de aço. A expectativa é de uma compressão nos preços no mercado doméstico, pressionada pelo aumento das importações e por uma demanda interna mais fraca. Somam-se a isso os custos elevados de insumos cruciais, como placas de aço e carvão metalúrgico, que devem apertar as margens da Usiminas.
Um termômetro para a indústria
Embora a BlackRock afirme não ter intenção de alterar o controle ou a estrutura da Usiminas, a venda de uma fatia, mesmo que minoritária, por um investidor de seu porte funciona como um termômetro. O movimento sugere uma aposta macroeconômica, refletindo uma visão mais cautelosa sobre as perspectivas do setor siderúrgico brasileiro como um todo, e não necessariamente uma avaliação negativa da gestão da companhia.
O cenário descrito pelos analistas aponta para ventos contrários que são, em grande parte, exógenos à Usiminas. A dinâmica de preços internacionais e a concorrência com o aço importado são variáveis fora do controle da empresa, mas que ditam o ritmo de seus resultados. O movimento da BlackRock pode ser interpretado como uma antecipação a esse cenário mais adverso.
A redução da participação da maior gestora do mundo na Usiminas é menos um veredito sobre a companhia e mais um sinal sobre o humor do capital estrangeiro em relação a um setor-chave da indústria brasileira. Resta saber se o movimento é apenas um ajuste de portfólio ou o prenúncio de uma correção mais longa para o aço.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times




