A Vale divulgou resultados robustos para o terceiro trimestre de 2026, com o negócio de cobre emergindo como um destaque notável. O Ebitda Proforma do segmento de cobre saltou 66%, atingindo US$ 1 bilhão, um avanço significativo em comparação com os US$ 614 milhões registrados no mesmo período do ano anterior. Esse desempenho foi impulsionado por uma combinação de preços mais elevados do metal e uma gestão eficaz de custos.
O Ebitda Proforma consolidado da empresa alcançou US$ 3,5 bilhões. Este indicador, que exclui itens não recorrentes e efeitos de reparação de barragens, oferece uma visão mais clara da performance operacional contínua da Vale. Paralelamente, o negócio de minério de ferro demonstrou notável resiliência em um cenário global desafiador. Graças à forte produção em trimestres anteriores, a Vale conseguiu aumentar suas vendas em 300 mil toneladas na comparação anual, totalizando 86,3 milhões de toneladas. O Ebitda do minério de ferro somou US$ 2,6 bilhões, um resultado que, apesar de refletir fatores externos como menores preços e maiores custos de frete, foi parcialmente mitigado por iniciativas estratégicas da empresa, como contratos de frete de longo prazo e proteção financeira contra volatilidade de mercado.
"Nossos resultados do terceiro trimestre refletem a execução disciplinada de nossa estratégia e um foco contínuo na excelência operacional. Em um ambiente de mercado dinâmico, a flexibilidade de nosso portfólio, nossa estratégia de frete e nosso programa de hedge ajudaram a proteger as margens e a sustentar uma sólida geração de fluxo de caixa, fortalecendo ainda mais nosso balanço patrimonial", afirmou Gustavo Pimenta, Presidente da Vale.
Caminho para as Metas de Produção
A mineradora está bem posicionada para atingir a faixa superior de suas projeções de produção para 2026, tanto para cobre (entre 360 mil e 380 mil toneladas) quanto para níquel (entre 185 mil e 200 mil toneladas). No acumulado do ano, a produção de cobre e níquel já apresentou um crescimento de 4% e 8%, respectivamente, em relação ao mesmo período de 2025. A expectativa é que a Vale também cumpra suas metas para o minério de ferro (entre 335 milhões e 345 milhões de toneladas) e pelotas (entre 30 milhões e 34 milhões de toneladas).
Avanços no Negócio de Cobre
A produção de cobre no trimestre atingiu 85,5 mil toneladas, uma ligeira queda de 6% em relação ao ano anterior, impactada por manutenções programadas na planta de Sossego, no Pará. No entanto, o desempenho da mina de Salobo, também no Pará, compensou parcialmente essa redução, registrando sua maior produção histórica para um terceiro trimestre.
Um passo estratégico significativo foi a antecipação do início da operação do projeto CPF (Flotação de Partículas Grossas) em Salobo para o primeiro semestre de 2028, antes do prazo originalmente previsto. Este projeto aumentará a capacidade anual de processamento de minério da planta de Salobo em 6 milhões de toneladas, elevando-a para 42 milhões de toneladas por ano, e é um movimento crucial na estratégia da Vale de dobrar sua produção de cobre até 2035.
Resiliência e Flexibilidade no Minério de Ferro
A produção de minério de ferro totalizou 88,3 milhões de toneladas, uma redução de 6 milhões de toneladas em relação ao mesmo trimestre de 2025. Essa diminuição foi atribuída à menor disponibilidade de minério bruto na Serra Norte, no Pará, devido a restrições operacionais. Contudo, a expectativa é de recuperação no próximo trimestre, com a operação de Serra Sul apresentando sua maior produção trimestral histórica. A Vale também iniciou operações do projeto Britador de Compactos, que, juntamente com o projeto Serra Sul +20, visa aumentar a flexibilidade operacional e contribuir para a produção em 2027.
Estratégia de Frete e Mitigação de Custos
Um dos fatores que permitiram à Vale mitigar o impacto da alta nos custos de combustíveis e da valorização do real foi sua estratégia de frete marítimo. Enquanto o frete spot na rota Brasil-China aumentou 48% no 3T26 em comparação com o primeiro trimestre de 2026, o custo de frete da Vale cresceu apenas 26%. Isso se deve, em grande parte, aos seus contratos de afretamento de longo prazo com preços fixos e à eficiência de sua frota.
A mineradora continua a demonstrar compromisso com a excelência operacional e a flexibilidade de seu portfólio — elementos cruciais para navegar em um mercado global volátil e criar valor sustentável a longo prazo. As iniciativas em andamento, como a antecipação do projeto CPF e os aprimoramentos em Serra Sul, reforçam a posição da Vale como um player competitivo e resiliente no setor de mineração.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · InfoMoney





