Em uma análise retrospectiva do período pós-primeiro turno das eleições presidenciais de 2022, a Vale (VALE3) apresentou um desempenho que contrastou fortemente com o otimismo do mercado em geral. A companhia registrou uma perda de R$ 24,64 bilhões em seu valor de mercado, uma desvalorização de aproximadamente 8%. Este movimento se opôs à trajetória do Ibovespa, que celebrou aquele período eleitoral com uma alta de cerca de 10%. A divergência foi notável em outubro daquele ano: as ações da mineradora caíram 5%, enquanto o Ibovespa avançou 6%, em um mês que atraiu R$ 18,5 bilhões em investimentos estrangeiros para a bolsa brasileira.
Petróleo caro pressionava os custos da Vale
Naquele período, a alta do preço do petróleo, com o Brent superando os US$ 100 por barril, tinha um impacto direto nos custos operacionais da Vale. O combustível dos navios, conhecido como bunker, é essencial para o transporte do minério de ferro, e seu encarecimento elevava o custo do frete marítimo. Esse aumento nos custos logísticos foi visto pelo mercado como um fator que pressionaria os resultados financeiros da mineradora. O Itaú BBA, por exemplo, projetava na época um Ebitda de US$ 2,66 bilhões para a divisão de ferrosos no terceiro trimestre de 2022, uma queda de 13% em relação ao ano anterior, em parte devido a essa pressão nos custos.
Dólar em queda reduzia a receita em reais
Outro fator relevante que afetou a Vale em 2022 foi a desvalorização do dólar frente ao real. Como uma parcela significativa das vendas da mineradora é realizada em dólares, a queda da moeda americana diminuía o valor dessas receitas quando convertidas para a moeda local. Desde o primeiro turno das eleições daquele ano, o dólar recuou de aproximadamente R$ 5,20 para R$ 5,00. Essa movimentação cambial refletia uma percepção de menor risco fiscal no Brasil e a expectativa de maior entrada de capital estrangeiro.
Petrobras ganhava espaço nas carteiras
A alta do petróleo, que representava um custo adicional para a Vale, por outro lado, beneficiava a Petrobras. Essa dinâmica explicou, em parte, a preferência de alguns investidores pela petroleira em detrimento da mineradora. Naquele momento, a Petrobras chegou a alcançar um valor de mercado próximo a R$ 800 bilhões, enquanto as ações da Vale caíam. Essa disparidade levou investidores a adotarem estratégias de 'long & short', apostando na alta de uma e na baixa de outra.
As questões que se abriam sobre o futuro da mineradora
A combinação de um dólar mais fraco, custos de frete mais elevados e a tendência de queda no preço do minério de ferro levantava, à época, questões sobre a sustentabilidade dos resultados da Vale no curto e médio prazo. A forma como a mineradora responderia àqueles desafios seria crucial para sua performance futura. Olhando em retrospecto, a performance da Vale no pós-eleições de 2022 demonstrou a sensibilidade do mercado a fatores macroeconômicos e geopolíticos, um lembrete de que mesmo gigantes globais não estão imunes a cenários locais complexos.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





