Veículos de entrega da Amazon acumularam mais de 14.000 multas por infrações de trânsito em Nova York entre julho de 2020 e junho de 2025, segundo um relatório da Alliance for a Greater New York. As violações incluem bloqueio de veículos de emergência, obstrução de hidrantes e excesso de velocidade em zonas escolares, de acordo com dados compilados pela cidade. A situação gerou preocupação entre autoridades locais, que intensificam a fiscalização sobre serviços de entrega, como parte de uma ofensiva que já resultou em um acordo de US$ 131,5 milhões com a DoorDash por práticas trabalhistas.

A mira de Nova York sobre entregas

A cidade de Nova York tem intensificado sua fiscalização sobre os serviços de entrega, um setor que cresceu exponencialmente, especialmente após a pandemia. A publicação do relatório sobre as infrações das vans da Amazon coincide com um momento de maior escrutínio regulatório. Autoridades como o membro da Assembleia Estadual Zohran Mamdani têm liderado uma campanha para garantir que as empresas de entrega operem de forma segura e justa, tanto para os trabalhadores quanto para o público em geral. A recente multa à DoorDash por não pagar salários adequados aos seus entregadores é um exemplo claro dessa nova postura mais rigorosa.

O modelo de terceirização da Amazon

Grande parte dos veículos flagrados nas infrações opera sob o modelo de Parceiros de Serviço de Entrega (DSPs) da Amazon. Embora os motoristas usem uniformes e passem por verificações de antecedentes conduzidas pela Amazon, eles são contratados por terceiros. O relatório aponta que, quando trabalhadores reclamam de condições perigosas, a Amazon os direciona para seus DSPs. Em caso de acidentes, a Amazon pode argumentar que a culpa é exclusiva do DSP, buscando se isentar de responsabilidade direta.

Respostas e regulamentação

A Amazon afirma que investe em treinamento e tecnologia para garantir a segurança de seus motoristas, citando a "Last Mile Training Academy", que já capacitou cerca de 110.000 motoristas. A empresa também declarou que os DSPs são responsáveis por garantir que seus motoristas sigam as leis de trânsito e arquem com os custos das infrações. Além disso, a Amazon está explorando alternativas como bicicletas de carga e entregas a pé. No entanto, o Comissário do Departamento de Proteção ao Consumidor e Trabalhador de Nova York vê os dados como prova de um modelo econômico que "recompensa a exploração e protege corporações poderosas da responsabilidade". O comissário apoia a "Delivery Protection Act", projeto que exigiria que empresas como a Amazon empregassem diretamente seus entregadores.

Perguntas em aberto

A questão central reside em quem deve ser responsabilizado pelas infrações e pelos danos causados pelos veículos de entrega: a plataforma gigante ou os parceiros terceirizados? A pressão regulatória em Nova York pode servir de modelo para outras cidades americanas que enfrentam desafios semelhantes com a expansão das entregas de comércio eletrônico. Resta saber se a "Delivery Protection Act" será aprovada e como a Amazon responderá a uma regulamentação mais direta sobre sua cadeia de suprimentos e força de trabalho.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Business Insider