A Veolia anunciou nesta segunda-feira um plano estratégico que prevê investimentos de 1 bilhão de euros no mercado espanhol até 2030. Segundo o diretor da companhia no país, Daniel Tugues, o montante será direcionado para reforçar a atuação em quatro pilares principais: gestão de água, energia, valorização de resíduos e diversificação industrial e agrícola.

A estratégia marca uma mudança na alocação de capital da multinacional. Historicamente, a empresa concentrou cerca de 60% de seus investimentos em água e 25% em energia, com o restante destinado ao crescimento inorgânico. O novo plano busca reequilibrar essa distribuição, dando prioridade ao setor de reciclagem e valorização de resíduos, que a empresa considera carente de novos aportes para acompanhar as demandas ambientais atuais.

Foco na transição para a economia circular

A decisão da Veolia de priorizar a valorização de resíduos reflete uma tendência global de busca por modelos de economia circular mais robustos. Tugues ressaltou que, embora a empresa mantenha sua expertise em serviços hídricos, o mercado de resíduos oferece oportunidades significativas de crescimento. A empresa projeta um aumento de 40% em seu faturamento na Espanha até 2030 em comparação com os níveis de 2023.

O executivo ponderou que a execução desses investimentos dependerá da forma como os projetos serão estruturados, seja por meio de licitações tradicionais ou parcerias público-privadas diretas. A necessidade de alinhamento com as políticas públicas é vista como um fator crítico para garantir a viabilidade financeira e a agilidade na implementação das novas infraestruturas.

Infraestrutura hídrica e os desafios da seca

Em um cenário de estresse hídrico recorrente, a atuação da Veolia na Espanha também está sob forte escrutínio, especialmente na região da Catalunha. A empresa declarou que as obras de infraestrutura sob sua responsabilidade direta serão concluídas ainda este ano, focando em aumentar a capacidade de reutilização de água nos rios Llobregat e Besòs.

Contudo, a conclusão plena desses projetos depende de compromissos orçamentários da Generalitat. Enquanto o projeto do Llobregat está em estágio avançado, a requalificação do Besòs é vista como um empreendimento de longo prazo, com conclusão prevista para além de 2030. A dependência de verbas públicas reforça a complexidade do setor de saneamento em um contexto de mudanças climáticas.

Estratégia de crescimento inorgânico

Além dos investimentos orgânicos, a Veolia mantém o interesse em aquisições estratégicas. A filosofia da empresa, segundo Tugues, é buscar compras de nicho que permitam completar o portfólio tecnológico ou expandir a presença territorial. Embora nenhuma operação tenha sido fechada neste ano, a companhia avalia ativos de maior porte do que os adquiridos anteriormente.

O setor de água, contudo, parece fora do radar para novas aquisições, com o foco voltado para segmentos que complementem a oferta tecnológica e a diversificação de mercado. A dificuldade em transitar processos de compra de empresas maiores tem exigido cautela, mas a empresa sinaliza que as negociações seguem em curso.

Perspectivas e incertezas

A projeção de crescimento de 40% na receita até 2030 coloca pressão sobre a capacidade operacional da Veolia em um mercado competitivo. A capacidade da empresa em equilibrar o financiamento de grandes projetos de infraestrutura com a volatilidade dos orçamentos públicos será o principal indicador de sucesso nos próximos anos.

O mercado aguarda agora a definição dos mecanismos de contratação e o ritmo dos investimentos públicos, que determinarão se a meta de 1 bilhão de euros será suficiente para transformar a infraestrutura de resíduos espanhola. O desenrolar dessas parcerias servirá como um termômetro para a viabilidade de projetos de grande escala no setor de serviços ambientais.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España