O desejo de viajar permanece intacto na era pós-pandemia, mas a realidade econômica impõe suas condições. Para 43% dos turistas europeus, o custo é hoje a principal barreira para fazer as malas, segundo um novo relatório da plataforma de pagamentos Scalapay, especializada em “buy now, pay later” (BNPL). O estudo, baseado nos usuários da própria companhia, lança luz sobre um mercado em transformação.
O que os dados sugerem não é o fim do turismo, mas uma recalibragem de prioridades e, principalmente, de meios de pagamento. Em um cenário de incerteza geopolítica e pressão inflacionária, o consumidor busca mais controle e previsibilidade. A solução, para muitos, tem sido recorrer a ferramentas de financiamento flexível, um movimento que o ecossistema brasileiro conhece de perto há décadas, mas que agora ganha tração e sofisticação digital na Europa.
O parcelamento como passaporte
A ascensão do BNPL no setor de turismo europeu é um sintoma da busca por equilíbrio financeiro. Segundo a reportagem da Forbes España, que detalhou o estudo, mais da metade dos usuários da Scalapay aumentou o uso de pagamentos a prazo nos últimos seis meses. Na Espanha, 70% dos consumidores já consideram a flexibilidade de pagamento o principal fator em suas decisões de compra. O turismo, com seus tickets médios mais elevados, se tornou uma das principais categorias para a modalidade.
Este comportamento reflete uma mudança estrutural. Os consumidores não estão deixando de viajar, mas planejam com mais antecedência, otimizam orçamentos e, crucialmente, se apoiam em fintechs para diluir o impacto financeiro. A pesquisa também aponta uma preferência crescente por segurança — critério número um para 51% dos entrevistados — e por destinos mais próximos, com uma queda no interesse por viagens de longa distância. É a pragmática do bolso ditando a nova geografia do lazer.
Para o setor de turismo, de companhias aéreas a agências de viagem, a mensagem é clara: a flexibilidade financeira deixou de ser um diferencial para se tornar uma necessidade competitiva. A questão não é mais se devem adaptar-se, mas como integrar essas ferramentas de forma estratégica, viabilizando o desejo do consumidor sem banalizar a experiência de viajar. É a fina fronteira entre habilitar um sonho e simplesmente financiar uma transação.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





