A mineradora australiana Viridis Mining and Minerals deu um passo decisivo para viabilizar seu projeto de terras raras Colossus, em Poços de Caldas, Minas Gerais. A companhia já obteve apoio preliminar de financiadores para quase toda a parcela de US$ 314 milhões em dívidas necessárias para o empreendimento, que tem um custo total estimado em US$ 449 milhões. Segundo reportagem da Reuters, a expectativa é receber as propostas finais dos bancos até o início de outubro.
O movimento ocorre após a Viridis ter garantido os US$ 135 milhões de capital próprio em uma rodada de captação recente, que incluiu investidores brasileiros. A arquitetura financeira do projeto ganha tração ao mesmo tempo em que a empresa finaliza um acordo estratégico com a gigante química belga Solvay. A combinação de capital assegurado e parceria tecnológica sinaliza uma aceleração na tentativa do Brasil de se inserir na complexa cadeia global de minerais críticos.
Do subsolo ao mercado: o desafio do refino
Com a equação do capital próprio resolvida, o foco da Viridis se volta para a estrutura da dívida. A empresa mantém conversas com o BNDES, além de agências de crédito à exportação e bancos internacionais. Esse mix de financiamento é um indicativo da natureza estratégica do projeto, que transcende o puro retorno financeiro e toca em interesses geopolíticos de diversificação de suprimentos, hoje concentrados na China.
No entanto, o pilar mais relevante da estratégia parece ser a parceria com a Solvay. O acordo, inicialmente focado na compra da produção futura (um contrato de offtake), evoluiu para uma aliança tecnológica. A Solvay atuará como parceira nas etapas de separação e extração por solventes, um gargalo técnico que poucas empresas dominam fora do eixo chinês. Para o Brasil, a parceria representa uma oportunidade de internalizar um conhecimento industrial crítico, em vez de apenas exportar o minério bruto.
Geopolítica e agregação de valor
O projeto Colossus se posiciona em um momento oportuno, enquanto governos e corporações ocidentais buscam ativamente alternativas à dependência chinesa em terras raras, essenciais para a fabricação de ímãs permanentes usados em veículos elétricos e turbinas eólicas. O envolvimento de agências europeias e da Solvay reforça essa tese. O projeto não é apenas uma aposta de mineração, mas uma peça no tabuleiro da nova geografia industrial.
Segundo o presidente da Viridis, Rafael Moreno, a recém-aprovada Política Nacional de Minerais Críticos não altera os planos da companhia, pois a estratégia sempre foi agregar valor no Brasil. A meta é produzir óxidos magnéticos de terras raras (MREO), um produto já processado, com a operação comercial prevista para 2028. A postura busca alinhar a empresa aos interesses do país de desenvolver uma indústria local e não apenas uma plataforma de extração.
Com o financiamento se materializando e a parceria tecnológica encaminhada, o projeto da Viridis passa do plano à execução. A encomenda dos primeiros equipamentos de longo prazo de fabricação é iminente, marcando um ponto de não retorno. O sucesso da empreitada servirá como um termômetro da capacidade do Brasil de converter sua riqueza geológica em uma posição relevante na economia de alta tecnologia global.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · InfoMoney





