O Sindicato Labrego Galego-Comisións Labregas (SLG-CCLL) emitiu um alerta sobre a grave situação enfrentada pelos viticultores das prestigiosas Denominações de Origem (DO) Rías Baixas e Ribeira Sacra, na Galiza. Segundo o sindicato, os produtores estão sendo forçados a vender suas uvas a preços que não apenas não cobrem os custos de produção, mas também comprometem a garantia de uma renda digna.

Na Ribeira Sacra, após uma colheita que superou os 5,4 milhões de quilos, os preços médios praticados ficaram em torno de 1,20 a 1,40 euros por quilo. Esses valores, conforme o SLG, são insuficientes para cobrir as despesas inerentes ao cultivo e à colheita. Situação semelhante se observa nas Rías Baixas, onde, nas subzonas de Condado e Rosal, os preços oscilaram entre 1,20 e 1,30 euros por quilo. O sindicato também relatou casos de vendas ainda mais baixas, entre 0,60 e 0,80 euros por quilo.

Análise da Situação Econômica

A disparidade entre os preços de venda e os custos de produção representa um cenário "ruinoso" e de "miséria" para os viticultores, segundo o SLG. A entidade aponta que a recente alta nos custos de insumos, mão de obra e energia agrava ainda mais a precariedade do setor. A falta de um preço mínimo garantido, que reflita os custos reais, está condenando muitos produtores à inviabilidade e, consequentemente, ao desaparecimento.

O SLG reitera a demanda por um preço de referência oficial. Este preço deveria ser estabelecido com base nos custos de produção, assegurando assim a viabilidade econômica e a sustentabilidade a longo prazo da atividade vitivinícola na região. A ausência de tal mecanismo deixa os produtores à mercê das negociações com compradores, que frequentemente impõem condições desfavoráveis.

Críticas à Inação Governamental

O sindicato direciona críticas à Consellería do Medio Rural (Secretaria de Meio Rural) da Galiza, acusando-a de "passividade" e de "amparar o descumprimento" da Lei da Cadeia Alimentar. Esta legislação, em teoria, visa impedir a venda de produtos agrícolas abaixo do custo de produção. A percepção do SLG é que a falta de fiscalização e de ações efetivas por parte das autoridades permite que essa prática predatória continue, minando a base econômica dos agricultores.

A inação governamental, segundo o SLG, tem consequências que vão além do âmbito econômico. O abandono da atividade vitivinícola pode levar a um impacto social e ambiental significativo nos territórios rurais, incluindo o aumento do risco de incêndios florestais devido à falta de manejo das terras. A viticultura, em muitas áreas, desempenha um papel crucial na manutenção da paisagem e na prevenção de desastres naturais.

Implicações para o Setor e o Território

A venda de uvas abaixo do custo de produção não afeta apenas os viticultores individualmente, mas também a estrutura econômica e social das regiões produtoras. A descapitalização dos agricultores pode levar à concentração de terras nas mãos de poucos, à perda de empregos no campo e ao declínio das comunidades rurais. Além disso, a qualidade dos vinhos pode ser comprometida a longo prazo, se os produtores não tiverem recursos para investir em práticas sustentáveis e de alta qualidade.

A situação atual levanta questionamentos sobre a eficácia das políticas agrícolas e a capacidade dos órgãos reguladores em proteger os produtores primários. A demanda por um preço de referência é um clamor por um modelo de negócio mais justo e sustentável, que reconheça o valor do trabalho no campo e a importância da agricultura para a economia e o meio ambiente.

Perguntas em Aberto e Perspectivas Futuras

Resta saber se as pressões do SLG e de outros atores do setor conseguirão catalisar uma mudança efetiva nas políticas agrícolas da Galiza. A resposta do governo regional às demandas por um preço de referência e à fiscalização da Lei da Cadeia Alimentar será crucial para o futuro de milhares de viticultores. A capacidade de adaptação e resistência dos produtores frente a essas adversidades também será um fator determinante.

Será importante observar se outras regiões produtoras de vinho na Espanha e na Europa enfrentarão desafios semelhantes e quais medidas serão adotadas para mitigar esses problemas. A sustentabilidade do setor vitivinícola, especialmente em pequenas propriedades e regiões com forte tradição, depende de um equilíbrio entre a qualidade do produto, a demanda do mercado e a remuneração justa para os produtores.

A manutenção da atividade vitivinícola nas denominações de origem galegas é vital para a preservação da paisagem, da cultura e da economia local. A esperança reside na capacidade de negociação e mobilização dos produtores, e na sensibilidade das autoridades em reconhecer a urgência da situação para evitar um colapso setorial. A viabilidade econômica dos viticultores é um pilar fundamental para a continuidade da produção de vinhos de qualidade e para a vitalidade do interior galego.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España