Volkswagen de México e o Sindicato Independiente de Trabajadores de la Industria Automotriz Volkswagen (SITIAVW) chegaram a uma nova proposta de acordo para a revisão do Contrato Coletivo de Trabajo, prevendo um incremento global de 13,16% válido por 24 meses. A nova proposta, que agora será submetida à votação dos trabalhadores, surge após a primeira oferta ter sido rejeitada, o que levou a uma ameaça de greve. A montadora alemã enfrenta um cenário desafiador, com a eliminação de um turno de produção, paralisações temporárias na fabricação do modelo Taos devido à falta de componentes e um mercado norte-americano com condições alteradas, impactando a operação mexicana.

Contexto Adverso para a Negociação

A revisão do contrato coletivo se deu em um ambiente de pressão para a planta de Puebla. A Volkswagen já havia anunciado o corte indefinido de um dos três turnos de produção dos modelos Jetta e Tiguan, justificando a medida pelas "condições atuais de seus mercados chave" na América do Norte. Essa decisão foi qualificada como "difícil, mas necessária". Os números reforçam a complexidade: nos primeiros seis meses de 2026, 50,75% das 223.559 unidades produzidas em Puebla foram destinadas aos Estados Unidos. Contudo, o mercado americano impôs novas regras, especialmente com as tarifas alfandegárias vinculadas ao T-MEC. Veículos mexicanos que cumprem as regras de origem enfrentam um imposto de 15%, enquanto os que não cumprem arcam com 25%. Essa diferença valoriza o conteúdo de origem americana e pressiona modelos com menor integração de peças dos EUA. Para a Volkswagen, o desempenho de alguns modelos em solo americano também tem sido aquém do esperado, com o Jetta registrando uma queda de 14,8% nas vendas no primeiro semestre de 2026 em comparação com o ano anterior.

Escassez de Componentes e Ajustes Globais

A essas pressões somou-se um problema industrial direto: a Volkswagen precisou suspender temporariamente a produção do Taos em Puebla por falta de componentes. Entre 5 e 9 de outubro de 2026, os turnos 1 e 2 do segmento foram paralisados, com trabalhadores utilizando dias de férias ou o conceito de "kurzarbeit" (trabalho em tempo reduzido) para compensar os dias parados. Algumas equipes foram convocadas para atividades essenciais como manutenção e recuperação de materiais. Essas dificuldades ocorrem em paralelo à implementação do "Plano Futuro 2030" do Grupo Volkswagen, uma estratégia global focada na redução de custos, otimização de volumes por modelo e aumento de rentabilidade. O plano prevê uma redução de até 50% na carteira de modelos e de 75% na complexidade de equipamentos até 2035, concentrando esforços em produtos de maior apelo comercial e tecnológico. A planta de Puebla, portanto, precisa adaptar sua capacidade produtiva à demanda real, e a negociação do contrato coletivo reflete essa discussão sobre o custo de produção e a divisão dos ajustes entre empresa e força de trabalho.

A Rejeição da Primeira Proposta

A negociação salarial inicial, assinada em 26 de agosto, previa um aumento direto de 4,30% no salário, com o restante do incremento concedido por meio de benefícios. Contudo, a proposta foi amplamente rejeitada pelos trabalhadores em votação no dia 11 de setembro, com cerca de 73% dos votos válidos contrários. De 5.925 trabalhadores participantes, 4.327 votaram "não", 1.580 "sim" e houve 18 votos nulos. Essa rejeição reacendeu a ameaça de greve e devolveu as partes à mesa de negociação, com mediação do Centro Federal de Conciliação e Registro Laboral. O desfecho das novas conversas foi uma proposta de acordo, selada em 2 de outubro, com o aumento global de 13,16% e vigência de 24 meses. A Volkswagen argumentou que a nova proposta representa o "máximo esforço viável" diante das circunstâncias globais do grupo, enviando um "sinal positivo" sobre a consciência da equipe mexicana acerca das dificuldades corporativas. O sindicato agora tem a responsabilidade de comunicar os detalhes aos trabalhadores e convocar uma segunda votação para a ratificação final do convênio.

Perguntas em Aberto e o Futuro da Produção

A proposta de acordo salarial traz um alívio imediato para as relações trabalhistas na Volkswagen Puebla, mas deixa em aberto questões importantes sobre a sustentabilidade da produção no médio e longo prazo. A capacidade da planta e a demanda dos mercados-chave, especialmente os Estados Unidos, continuam sendo fatores críticos. A pressão por eficiência e rentabilidade, impulsionada pelo plano global da Volkswagen, sugere que ajustes adicionais na operação podem ser necessários. A forma como a montadora e o sindicato gerenciarão futuras revisões contratuais, diante de um cenário automotivo volátil e sujeito a choques de oferta e demanda, será crucial para a estabilidade da unidade fabril. A ratificação final pelos trabalhadores é o próximo passo, mas a capacidade da empresa de manter um volume produtivo consistente, mesmo com a escassez de componentes, permanece um ponto de atenção.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Expansión MX