A mais recente febre das redes sociais, apelidada de "whimsymaxxing", transformou superfícies comuns em telas vibrantes para adesivos de joias coloridas. De rostos e animais de estimação a carros e garrafas d'água, a prática de adornar tudo com gemas autocolantes ganhou força no final do verão, impulsionando um aumento expressivo na demanda por esses itens em lojas de artesanato e varejo.
Na Michaels, uma das maiores redes de lojas de artesanato dos EUA, o impacto foi notável. Stacey Shively, diretora de merchandising da empresa, relatou um salto de 69.000 buscas internas pelo termo "bedazzling kit" entre maio e agosto, além de um aumento de 18.000 buscas pela palavra "bedazzle". A Target também observou um crescimento significativo na procura por itens com joias a partir do verão. Para varejistas como a Michaels, que já possuem um vasto inventário de materiais de artesanato, atender a essa demanda não representa um desafio logístico complexo. A estratégia da empresa envolve a rápida criação de kits e a otimização de tags em plataformas de busca, como o Google, para capitalizar sobre os termos em alta nas redes sociais.
Agilidade para acompanhar microtrends
A capacidade de responder rapidamente a microtrends, como o "whimsymaxxing", é um desafio para o setor de varejo. O ciclo tradicional de desenvolvimento e produção de produtos pode levar vários meses, um tempo excessivo para tendências efêmeras. Segundo Catriona Van Dyck, sócia da Columbus Consulting, a solução para os varejistas é adotar um modelo semelhante ao da "fast fashion", como o da Zara, para reduzir esse tempo para cerca de 4 a 8 semanas. No entanto, mesmo essa agilidade pode não ser suficiente, pois a tendência pode desaparecer antes que os produtos cheguem às prateleiras. A observação atenta do comportamento do consumidor, seja por meio de pesquisas, feedback direto ou interação nas lojas, torna-se crucial para que as empresas decidam se vale a pena investir em uma determinada tendência e como alinhá-la com os interesses de seus clientes.
Raízes da tendência: criatividade e a influência de Taylor Swift
Embora o termo "whimsymaxxing" seja recente, a prática de "tornar as coisas brilhantes" tem crescido nos últimos dois a três anos, segundo Shively. A Michaels identifica essa categoria internamente como "diamond art". A explosão recente é, em parte, atribuída à turnê "Eras Tour" de Taylor Swift, que impulsionou significativamente o mercado de joias e acessórios. A varejista adaptou sua estratégia de estoque para coincidir com as datas da turnê, garantindo que lojas próximas aos locais dos shows estivessem bem abastecidas. Mais recentemente, figuras como Kylie Jenner também contribuíram para a popularidade da tendência. Apesar do fim da turnê, a Michaels continua repondo seu estoque de joias semanalmente, antecipando a demanda contínua com o retorno às aulas e a proximidade das festas de fim de ano.
O potencial lúdico e a expressão pessoal
Allie Joy, terapeuta de arte e co-host do "The Creative Collective Podcast", vê o "whimsymaxxing" como uma oportunidade para resgatar a ludicidade e a criatividade, mas alerta contra a sua limitação a um mero consumo de itens decorativos. Ela espera que a tendência não afaste as pessoas do conceito mais amplo de "whimsy" – a leveza e a capacidade de abraçar a criança interior. Para Joy, a "whimsy" transcende a aplicação de adesivos, sendo uma forma de introduzir mais leveza na vida e de se reconectar com a espontaneidade infantil. A tendência, embora superficial em sua manifestação atual, pode servir como um ponto de partida para uma exploração mais profunda da criatividade e da autoexpressão.
A busca por adornar objetos com brilho e cor, impulsionada por tendências virais, demonstra a contínua necessidade humana por expressão e criatividade. Varejistas que conseguem navegar por essas microtrends com agilidade e autenticidade tendem a prosperar, enquanto o significado mais profundo de "whimsy" permanece como um convite à leveza e à reconexão com o eu interior.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Fast Company





