A decisão da WNBA de antecipar o Jogo 6 das Finais para um horário diurno, às 12h30 ET (13h30 no horário de Brasília), provocou uma onda de descontentamento entre proprietários de bares especializados em esportes femininos. Estabelecimentos que apostam no crescimento do esporte e têm a liga como um pilar de sua receita veem a mudança como um desserviço e um risco financeiro.

Uma decisão logística com impacto financeiro

Clarissa Flores, dona do Level Sporting Club em Chicago, expressou sua surpresa nas redes sociais: "Um jogo das Finais da WNBA às 12h30 de uma quinta-feira. É sério?". A liga justificou a mudança para permitir que o Atlanta Dream mandasse o jogo na State Farm Arena, com capacidade para 17.000 espectadores, em vez do menor Gateway Center. A necessidade de acomodar um jogo dos Atlanta Hawks na mesma arena na noite de quinta-feira pressionou o calendário da WNBA. No entanto, para donos de negócios como Flores, a antecipação significa que muitos fãs estarão no trabalho ou na escola, prejudicando a audiência e, consequentemente, o faturamento. "Os jogos das Finais da WNBA ajudam a manter as luzes acesas", disse Flores, destacando o investimento pessoal e financeiro que esses estabelecimentos fazem no esporte.

Críticas e temor de "tapa na cara"

Chandler Robertson, proprietário do Blazers em Brooklyn, Nova York, descreveu a decisão como um "tapa na cara", indicando uma aparente falta de consideração pela capacidade dos bares de transmitir e lucrar com os jogos. "Colocamos nosso dinheiro, nosso sustento, nosso futuro no esporte feminino. Precisamos que as pessoas que tomam as decisões correspondam a esse mesmo compromisso", afirmou Flores. Jenny Nguyen, fundadora do The Sports Bra em Portland, Oregon, alertou para as consequências negativas na audiência televisiva, que já registra recordes nesta temporada. "Quando você agenda um jogo das Finais em um horário que impede as pessoas de assistir, isso com certeza prejudicará os números. Esses números correm o risco de serem usados como evidência de que o público não está lá", explicou.

Desafios operacionais e perda de receita

Jen Barnes, proprietária do Rough & Tumble em Seattle, enfrentou o dilema de abrir seu estabelecimento, que normalmente opera a partir das 16h em dias de semana, para um jogo que começaria às 9h30 no Pacífico. A equipe de cozinha, por exemplo, não estaria disponível para um horário tão matutino. Barnes estima uma perda de receita entre US$ 10.000 e US$ 15.000 por jogo das Finais da WNBA em suas duas unidades, uma quantia que pode não ser recuperada com o horário alterado. Ela observou que, apesar do grande interesse dos fãs, especialmente em Seattle, o horário incomum pode afastar o público. O Level Sporting Club, por sua vez, anunciou que abrirá mais cedo para o jogo, promovendo-o como um evento de trabalho remoto, uma iniciativa inédita para o bar em um dia de semana pela manhã.

O futuro da audiência e do patrocínio

A controvérsia em torno do horário do Jogo 6 lança uma luz sobre os desafios de equilibrar as necessidades logísticas das ligas com o modelo de negócios de estabelecimentos que impulsionam a popularidade de esportes emergentes. A capacidade de atrair e reter audiências, especialmente em eventos cruciais como as Finais, é fundamental para demonstrar o valor comercial do esporte feminino a patrocinadores e investidores. A percepção de que a liga não prioriza a acessibilidade para seus apoiadores mais engajados pode ter repercussões a longo prazo na construção de uma base de fãs sólida e em oportunidades de receita. A WNBA, ao buscar expandir sua audiência, precisa navegar essas tensões para garantir que as decisões de agendamento reforcem, em vez de minar, o crescimento conquistado com tanto esforço.

Com reportagem de Brazil Valley

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