A WOW Aceleradora, uma das pioneiras do ecossistema de startups no Brasil, atingiu a marca de 200 empresas investidas ao longo de 13 anos. O marco foi alcançado com o aporte em quatro novas startups — BCS, Sensoriz, Turing DevSecOps e Cheers —, mantendo o padrão de cheques de até R$ 500 mil. A notícia, reportada pelo portal Startups, consolida um modelo de negócio paciente, mas também joga luz sobre o principal desafio do venture capital: a geração de liquidez.

O feito valida a aposta da WOW em um modelo de investimento coletivo, que hoje reúne 500 pessoas físicas como investidores-anjo. A tese é que o sucesso das startups, principal objetivo da aceleração, gera o retorno para essa base de apoiadores. Com 17 exits no histórico, o ciclo parece funcionar.

A construção do portfólio

Diferente de gestoras tradicionais, a WOW opera com um sindicato, uma estrutura que pulveriza o risco e, mais importante, constrói uma comunidade. A tese de investimento sempre foi clara: apostar em fundadores de perfil técnico, como engenheiros e cientistas da computação, que possuem a capacidade de construir o próprio produto. Segundo o CEO Filipe Garcia, essa preferência levou a aceleradora a se aproximar naturalmente de negócios baseados em inteligência artificial, que agora é usada até no processo de seleção da própria WOW.

Mais do que o capital, o valor agregado está na rede de quase 600 fundadores que trocam experiências e encurtam caminhos, um ativo intangível e difícil de replicar. O ciclo virtuoso se completa quando empreendedores que tiveram sucesso, como os 37 que já reinvestem na própria aceleradora após um evento de liquidez, retornam para fortalecer o ecossistema.

O funil da liquidez

Atingir a ducentésima investida é um feito de volume e resiliência. Agora, a pressão se desloca do sourcing para a performance, e o nome do jogo é saída. Com 17 exits, a WOW já demonstrou capacidade de levar empresas até a linha de chegada — a mais recente foi a aquisição da Int6 Tech pela Harmonic. O desafio é escalar essa performance para um portfólio que amadureceu ao longo de uma década.

O próprio CEO admite que estruturar novas saídas é um dos principais desafios para o próximo ciclo, um dilema que ecoa em toda a indústria de capital de risco local e global. A capacidade de gerar retornos concretos para seus 500 investidores-anjo definirá o sucesso do modelo a longo prazo. Afinal, portfólios não pagam a conta; exits, sim.

A celebração do marco é legítima, mas a verdadeira prova do modelo da WOW será medida nos próximos anos. Construir o portfólio foi a maratona da primeira década; realizar seu valor será a corrida de velocidade da segunda.

Com reportagem de Brazil Valley

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