A XP promoveu uma reestruturação em sua carteira recomendada de small caps para o mês de junho de 2026. As alterações incluem a entrada de C&A (CEAB3) e Ecorodovias (ECOR3), além de um aumento relevante na participação da construtora Cury (CURY3), que passou de 10% para 12,5% do portfólio. Em contrapartida, a corretora optou pela saída de Pague Menos (PGMN3) e Mills (MILS3).

Segundo os estrategistas Fernando Ferreira, Raphael Figueiredo e Caio Souza, a movimentação reflete uma estratégia de alocação tática baseada na resiliência operacional das companhias e em avaliações de mercado consideradas atrativas. O movimento ocorre em um momento em que a carteira busca superar o desempenho do índice Small Caps (SMLL) da B3, que tem enfrentado volatilidade ao longo de 2026.

Aposta na construção e varejo de moda

O aumento da exposição à Cury destaca a confiança da XP na tese de investimento do setor imobiliário, mesmo diante de um ambiente macroeconômico desafiador. A casa enfatiza a qualidade da execução da construtora, citando vendas robustas e uma velocidade de vendas (VSO) que se mantém em patamares elevados. A resiliência na geração de caixa é apontada como o pilar fundamental para a manutenção da tese.

No varejo, a substituição de Pague Menos por C&A sinaliza uma mudança de preferência setorial dentro do ciclo atual. A leitura da XP é de que o segmento de vestuário apresenta, neste momento, janelas de oportunidade mais claras para a expansão de margens em comparação ao varejo farmacêutico. O ajuste busca otimizar o retorno esperado com base na dinâmica de consumo projetada para os próximos meses.

Dinâmicas de saída e valorização

A saída de Mills (MILS3) do portfólio ilustra uma estratégia de realização de lucros após a valorização expressiva dos papéis. O movimento também é influenciado pelo cenário corporativo da empresa, especialmente com a aquisição de controle pela Loxam, que introduziu a possibilidade de uma oferta pública de aquisição (OPA). A corretora opta por reduzir a exposição em cenários onde o upside pode estar limitado por eventos societários.

Já a inclusão de Ecorodovias (ECOR3) é fundamentada em uma análise de valuation. Para a XP, o mercado reagiu de forma excessiva a riscos geopolíticos, como o conflito entre Estados Unidos e Irã, que pressionaram a percepção sobre investimentos em infraestrutura (capex). A casa avalia que os fundamentos da companhia permanecem sólidos e que os riscos potenciais são amplamente mitigados por fatores operacionais claros.

Implicações para o investidor de risco

A estratégia da XP reafirma a importância de uma revisão mensal rigorosa para o segmento de small caps, onde a liquidez e a volatilidade exigem monitoramento constante. Para o investidor, o portfólio sugere uma preferência por empresas com valor de mercado inferior a R$ 10 bilhões que apresentem teses de crescimento consistentes, independentemente das oscilações de curto prazo do mercado acionário brasileiro.

O desempenho recente da carteira, que acumulou baixa de 3,3% no ano até o momento, reforça a necessidade de disciplina na seleção de ativos. A transição entre setores, como o movimento de saída do varejo farmacêutico, demonstra que a corretora mantém uma postura ativa para mitigar perdas e buscar setores que ainda possuem espaço para reprecificação positiva na bolsa local.

Desafios e perspectivas futuras

O que permanece incerto é a capacidade de recuperação das small caps diante de um cenário de juros e incertezas globais que ainda pairam sobre o mercado. A eficácia dessa estratégia de rotação dependerá da evolução dos fundamentos de cada empresa e da resiliência das teses setoriais escolhidas pela XP.

Investidores devem observar como essas empresas reagirão aos próximos indicadores de inflação e atividade econômica. A persistência da XP em manter ativos de utilidades públicas e industriais, além do foco em construtoras de alta performance, indica uma visão de que o valor fundamental acabará prevalecendo sobre o ruído macroeconômico.

A movimentação da XP para junho evidencia um portfólio que tenta equilibrar a busca por crescimento com a proteção de capital em um mercado ainda cauteloso. A redefinição dos pesos e a seleção de novos nomes mostram que a casa está ajustando sua convicção conforme a clareza sobre os resultados operacionais das empresas aumenta.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times