Em um movimento que sinaliza forte confiança no futuro do trabalho presencial, a XP Vista, gestora de recursos da XP, está no mercado para levantar R$ 1,1 bilhão para um novo fundo imobiliário. O XP Prime Offices nasce com um mandato claro: adquirir dois edifícios corporativos de alto padrão em São Paulo.

A tese é uma aposta direta na recuperação do mercado de lajes corporativas, um segmento que enfrentou incertezas com a ascensão do home office. Ao mirar em ativos premium, a XP não apenas aposta no retorno aos escritórios, mas em uma tese de “flight to quality”, onde empresas buscam os melhores espaços para atrair e reter talentos, mesmo que em modelos híbridos.

A tese por trás dos R$ 1,1 bilhão

Os alvos da captação são o JK Square, no Itaim Bibi, e o River South, na Marginal Pinheiros. São ativos emblemáticos, com inquilinos de peso como Uber, Banco ABC e Wise. Segundo reportagem do Money Times, que detalhou a oferta, o JK Square está 100% locado, enquanto o River South tem ocupação de 73%. A escolha dos imóveis e de seus locatários é um pilar central da estratégia: mitigar riscos por meio da qualidade.

A estrutura financeira da operação também revela uma jogada de valor. O fundo está adquirindo os imóveis por um preço médio de R$ 28 mil por metro quadrado. No entanto, uma avaliação independente de junho aponta para um valor de R$ 34,2 mil por metro quadrado. A XP projeta que essa diferença resultará em um ganho de capital imediato de cerca de 15% para os cotistas, um argumento de venda poderoso para atrair investidores.

Sinais de um reaquecimento

O movimento da XP não ocorre no vácuo. Dados da consultoria Newmark, citados na oferta, mostram que o mercado de escritórios de São Paulo está reaquecendo. A taxa de vacância na cidade caiu de 18% para 14,4% em um ano, enquanto o preço médio do aluguel subiu 14% no mesmo período. A gestora está, portanto, surfando uma onda de recuperação que já mostra sinais claros de força.

Essa não é uma aposta isolada da XP no setor imobiliário. A gestora também realizou captações recentes para fundos de dívida imobiliária, como o Maxi Renda e o XP CDI CRI. A leitura é que a XP está se posicionando de forma ampla no setor, com teses que vão desde a valorização de ativos físicos de primeira linha até o financiamento da cadeia produtiva do mercado imobiliário.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times