A XP Investimentos elevou a JBS ao posto de sua principal recomendação no setor de frigoríficos, estabelecendo um preço-alvo de US$ 20,30 por ação e projetando um potencial de valorização de 69%. A mudança de perspectiva é fundamentada, segundo o relatório da corretora, na esperada recuperação da operação de carne bovina nos Estados Unidos e em um cenário mais favorável para os negócios no Brasil.
O gatilho americano e a virada nas margens
O principal fator que sustenta a avaliação otimista da XP reside na projeção de melhora nas margens da operação de bovinos nos EUA. Os analistas preveem que o Ebitda dessa divisão saia de um resultado negativo de US$ 226 milhões em 2026 para um positivo de US$ 385 milhões em 2027. Essa revisão representa uma melhora significativa em relação às estimativas anteriores da própria XP, que projetavam perdas mais expressivas. A reconfiguração do mercado americano, com a retirada de capacidade de abate diário e o fechamento de plantas, além da reabertura da fronteira com o México, são fatores cruciais para essa virada. A expectativa é de que a operação atinja sua primeira margem trimestral positiva já no terceiro trimestre de 2026, impulsionada pela melhoria do diferencial entre os preços de venda da carne e os custos do gado.
Brasil em alta e diversificação geográfica
No mercado brasileiro, a XP também ajustou suas projeções para cima, elevando o Ebitda estimado em 6% para 2026 e 19% para 2027. Esse otimismo se baseia em um desempenho mais robusto das exportações, apoiado pela cota chinesa para 2027 e pela cota de 300 mil toneladas para os Estados Unidos, além de melhores preços no mercado doméstico. Apesar desses avanços, a XP realizou cortes nas estimativas de outras unidades da JBS, como Austrália e a operação de suínos nos EUA, devido à valorização do dólar australiano e à demanda mais fraca por carne suína, respectivamente. A Pilgrim’s Pride também teve suas projeções reduzidas, enquanto a Seara viu uma leve alta, embora os analistas prevejam que o pico do ciclo já tenha sido atingido.
JBS à frente dos pares e valuation atrativo
A diversificação geográfica e a eficiência operacional são apontadas pela XP como diferenciais que posicionam a JBS de forma mais vantajosa em relação a seus concorrentes. Atualmente, a companhia negocia a 5,5 vezes o valor da empresa sobre o Ebitda estimado para 2027, um múltiplo considerado atrativo pela corretora, especialmente ao se considerar que esses resultados representam o vale de um ciclo. Adicionalmente, o retorno do fluxo de caixa livre sobre o valor de mercado de 8% e um rendimento projetado em dividendos de 8% reforçam a tese de investimento, mesmo enquanto o mercado aguarda a consolidação da recuperação da operação de bovinos nos Estados Unidos.
Perguntas em aberto e o futuro do setor
Embora o cenário para a JBS pareça promissor, algumas questões permanecem em aberto. A velocidade e a magnitude da recuperação da operação de carne bovina nos EUA, assim como a sustentabilidade das margens em um ambiente de custos voláteis, serão pontos cruciais a serem observados. A capacidade da empresa em gerenciar os desafios em suas outras unidades, como a Austrália e a Pilgrim’s Pride, também influenciará o desempenho geral. O setor de frigoríficos, de forma mais ampla, continua a navegar em um ambiente de oferta e demanda dinâmica, com fatores geopolíticos e climáticos adicionando camadas de complexidade.
O otimismo da XP com a JBS reflete um momento de virada para a companhia, com a expectativa de que a recuperação das operações americanas e a força do mercado brasileiro compensem os desafios em outras frentes. A ação se apresenta como uma aposta de médio prazo, com catalisadores claros para a valorização, mas que exigirá acompanhamento atento dos resultados e do cenário macroeconômico.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





