A XP Investimentos revisou suas projeções macroeconômicas para o Brasil, trazendo uma perspectiva de alívio inflacionário para o restante de 2026. A principal alteração foi a redução da expectativa para o IPCA, que passou de 5,5% para 5,2% ao final do ano. Segundo relatório da instituição, o movimento é sustentado fundamentalmente pelo arrefecimento nos preços do petróleo, influenciado por um acordo diplomático entre Estados Unidos e Irã. A casa reajustou o valor da commodity para US$ 75 por barril no segundo semestre, ante a previsão anterior de US$ 80.

Este cenário de inflação mais contida altera o cálculo para a próxima reunião do Copom, agendada para agosto. A análise da XP aponta para a possibilidade de um corte final de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, dando continuidade ao ciclo de calibração monetária. Contudo, os economistas da casa reforçam que os fundamentos macroeconômicos permanecem desafiadores, sugerindo que o comitê poderá optar por uma pausa nas reduções logo após esse movimento.

O impacto do petróleo nas contas externas

A queda no preço do petróleo, embora benéfica para a inflação, impõe desafios para o balanço de pagamentos brasileiro. A XP elevou a projeção de déficit em conta corrente para 2,5% do PIB em 2026, frente aos 2,1% estimados anteriormente. A leitura aqui é que a redução na receita de exportações, somada ao encarecimento relativo dos serviços, pressiona o saldo externo do país, exigindo atenção redobrada dos formuladores de política econômica.

Simultaneamente, a dinâmica fiscal apresenta nuances importantes. A menor arrecadação decorrente da desvalorização do petróleo deve ser mitigada pela redução da subvenção aos combustíveis. O resultado projetado para o déficit primário em 2026 é de 0,3% do PIB, embora a XP alerte que o aumento das despesas financeiras continue a elevar o custo da dívida pública, mantendo o impulso fiscal em um patamar que exige monitoramento constante.

Desaceleração cíclica e o cenário para 2027

No que tange ao crescimento econômico, a expectativa para o PIB de 2026 foi mantida em 2%. Entretanto, a projeção para 2027 sofreu um ajuste negativo, passando de 1,2% para 1%. A análise sugere que a economia brasileira deve enfrentar um recuo cíclico do crédito, exacerbado pelos efeitos dos estímulos de curto prazo que perdem tração ao longo do tempo. O ambiente político, com o início das campanhas eleitorais em julho, também introduz uma variável de incerteza no planejamento das empresas.

Para o mercado financeiro, a expectativa é de que a Selic encerre 2026 em 14%. O ciclo de cortes, segundo a XP, poderá ganhar maior intensidade apenas em 2027, com a projeção de taxa de juros atingindo 11,50%. O alívio na inflação global, caso se sustente, pode diminuir a pressão para que o Federal Reserve eleve os juros nos Estados Unidos, criando um respiro necessário para as moedas emergentes.

Tensões fiscais e o papel do Banco Central

A persistência dos riscos de inflação, mesmo com o petróleo em patamares menores, mantém o Banco Central em uma posição defensiva. O dilema entre estimular o crescimento e ancorar as expectativas de longo prazo permanece como o principal desafio do Copom. A leitura é que, sem uma melhora estrutural nos fundamentos fiscais, o espaço para quedas mais agressivas nos juros continuará limitado pela percepção de risco dos agentes econômicos.

Além disso, o impacto do cenário político nas convenções partidárias e na definição das chapas eleitorais deve ditar o ritmo da volatilidade nos próximos meses. O mercado aguarda sinais claros sobre a condução da política fiscal para além de 2026, dado que a dívida pública continua a ser o principal ponto de atenção para a sustentabilidade da curva de juros no médio prazo.

Incertezas no horizonte

O que permanece em aberto é a resiliência da inflação de serviços frente à desaceleração da economia e a capacidade do governo de equilibrar a balança fiscal diante das novas projeções de arrecadação. Observar o comportamento dos preços de energia e a reação do Federal Reserve será fundamental para entender se o ciclo de juros no Brasil terá, de fato, fôlego para retomar uma trajetória de queda mais robusta em 2027.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times