O papel, em sua forma mais simples, é um convite ao vazio. No entanto, nas mãos de Zac Buehner, ele se torna uma floresta tridimensional que surge de um único movimento. A série Poet Tree, desenvolvida para a Lovepop, não é apenas um exercício de dobradura, mas um ensaio sobre a permanência e a fragilidade. Ao observar o desdobrar de um bordo japonês ou de um ginkgo biloba, percebemos que a técnica de slice-form kirigami atingiu uma maturidade que transcende o cartão comemorativo, situando-se agora no território da escultura colecionável.

A arquitetura da natureza

A transição do plano para o volume exige uma precisão quase matemática. Buehner, trabalhando a partir da equipe de inovação da Lovepop em Da Nang, no Vietnã, enfrentou o desafio de garantir a estabilidade estrutural em uma escala ampliada. Diferente dos modelos modulares convencionais, cada árvore da série possui uma silhueta única, com ramos e folhas posicionados individualmente. Essa irregularidade intencional é o que confere às peças uma aparência orgânica, quase como se o papel tivesse capturado o crescimento imprevisível de um organismo vivo.

O peso simbólico do papel

A escolha das espécies botânicas não é casual. O bordo japonês, em tons de vermelho, evoca a longevidade, enquanto o salgueiro-chorão, em verde suave, fala de resiliência. O ginkgo biloba amarelo e a cerejeira rosa completam o quarteto, cada um carregando uma narrativa sobre a efemeridade das estações. Ao integrar versos de Joyce Kilmer na base geométrica de cada escultura, o designer conecta o objeto físico a uma tradição literária que há muito tempo contempla a beleza e a complexidade da natureza.

O design como colecionismo

O projeto nasceu de um desejo de John Wise, cofundador da Lovepop, de explorar o espaço da arte e do design de colecionadores. A peça deixa de ser uma mensagem efêmera para se tornar um objeto de exibição, sustentado por um pedestal que remete às bases de museus. Essa elevação visual transforma o papel em um artefato, desafiando o observador a considerar a engenharia por trás de cada corte e dobra. A complexidade não está apenas no que vemos, mas na capacidade do material de se recolher, retornando ao estado plano sem perder a memória de sua forma.

O horizonte da forma

O que permanece após o fechamento da peça é a reflexão sobre o que define um objeto de arte. A série Poet Tree questiona se a valorização de uma obra reside na permanência do material ou na precisão do gesto que a cria. À medida que o design de papel continua a evoluir, resta observar como a intersecção entre o rigor técnico e a sensibilidade poética moldará os próximos objetos de nosso cotidiano. Será o papel, em sua humildade, o suporte definitivo para a nossa necessidade de capturar o efêmero?

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Designboom