Sob o comando de Zak Brown desde 2016, a McLaren Racing redesenhou sua estratégia esportiva e comercial, capitalizando o crescimento da Fórmula 1 — especialmente nos Estados Unidos — para ampliar receita, atrair patrocinadores e recuperar relevância competitiva. O resultado é uma operação mais robusta e uma marca entre as mais valiosas do grid, com estimativas de mercado colocando a equipe em patamar multibilionário.
Origens improváveis e o salto para o marketing A trajetória de Brown foge ao roteiro corporativo tradicional. Nascido em Los Angeles, ele deixou o ensino médio após episódios de indisciplina e, em 1984, participou do programa de TV Wheel of Fortune. Como relata a Fortune, Brown venceu duas rodadas e trocou os relógios do prêmio por um kart, dando início à sua jornada no automobilismo. Sem chegar ao topo como piloto, migrou para o marketing e fundou a Just Marketing Inc. (JMI), que se tornou uma das maiores agências globais de patrocínio esportivo — experiência que o ensinou, por dentro, a dinâmica de valor entre marcas e esportes.
A virada na McLaren e a gestão de crise Quando Brown assumiu a McLaren, a equipe enfrentava perda de competitividade e resistência interna a mudanças. O executivo descreveu aquele momento como um período de negação: o peso da tradição dificultava o diagnóstico realista. A pandemia, em 2020, agravou os desafios de caixa e levou à venda de uma participação minoritária da McLaren Racing ao grupo MSP Sports Capital — uma injeção de capital que ajudou a estabilizar as finanças e sustentar o plano de reestruturação.
Cultura ‘sem culpa’ e execução O pilar cultural adotado por Brown — a chamada cultura sem culpa — privilegia aprendizado e transparência em vez da caça a culpados. Na prática, isso ajudou a reter talentos, reduzir silos e acelerar decisões na engenharia. Com blindagem adequada às pressões externas e métricas claras, a equipe ganhou agilidade para iterar no carro e, ao mesmo tempo, ampliar a atratividade comercial da marca junto a parceiros e fãs.
Implicações para o ecossistema da F1 O caso McLaren ilustra como equipes de F1 passaram a operar como ativos de entretenimento e infraestrutura esportiva, combinando teto orçamentário, dados de audiência, ativações digitais e novas geografias de crescimento. Nesse cenário, marketing e governança são tão determinantes quanto a aerodinâmica. A estratégia de Brown — focada em exposição de marca, parcerias de longo prazo e transparência operacional — pressiona concorrentes a repensarem seus modelos de gestão.
Sustentabilidade do valor Embora a valorização recente seja expressiva, o desafio é sustentá-la em um esporte cíclico: performance em pista, renovação tecnológica e retenção de talentos seguem críticos. Para investidores, a questão é quanto do prêmio atual decorre do ciclo de expansão nos EUA e quanto é estrutural. A desconexão prolongada entre resultados esportivos e métricas financeiras ainda é um risco em cenários macro mais duros.
Do estúdio à pista A narrativa de Brown — iniciada em um estúdio de TV e amadurecida no marketing — sugere que vantagem competitiva nasce da capacidade de conectar produto, audiência e parceiros, e de construir processos que aprendem rápido. Na F1 contemporânea, estratégia é tão determinante quanto velocidade.
Com reportagem de Fortune (https://fortune.com/article/how-did-mclaren-racing-ceo-zak-brown-get-start-on-wheel-of-fortune/)
Source · Fortune





