A adaptação em live-action de The Legend of Zelda ainda está em fases iniciais, mas uma decisão de bastidores já revela a dimensão da aposta da Nintendo e da Sony Pictures. O ator australiano Uli Latukefu foi escalado para interpretar o icônico vilão Ganondorf. A notícia, no entanto, veio acompanhada de um detalhe crucial, segundo reportagem do site Deadline: Latukefu assinou um contrato que prevê sua participação em múltiplos filmes.

Embora nenhuma das empresas tenha confirmado oficialmente planos para uma trilogia ou um universo cinematográfico, este tipo de acordo é prática padrão em Hollywood para garantir a continuidade de franquias. A leitura é clara: a Nintendo não está testando as águas, mas mergulhando de cabeça na construção de uma saga para Zelda, provavelmente encorajada pelo estrondoso sucesso de bilheteria de Super Mario Bros. O Filme.

A aposta no universo cinemático

Um "multi-picture deal" é uma ferramenta de gestão de risco e de planejamento a longo prazo. Ao amarrar um ator-chave a futuros projetos, o estúdio se protege de renegociações inflacionadas caso o primeiro filme seja um sucesso e garante a consistência narrativa para sequências. Para a Nintendo, que por décadas foi extremamente protetora com suas propriedades intelectuais após o fracasso do filme de Mario nos anos 90, a jogada representa uma nova era de confiança e ambição estratégica.

A escolha faz todo o sentido para o universo de Zelda. Diferente da estrutura mais linear de Mario, a mitologia de Zelda é vasta, complexa e cíclica, com Ganondorf ressurgindo como uma ameaça persistente em diferentes épocas e formas. Um contrato de longo prazo permite que os roteiristas explorem essa riqueza, adaptando diferentes arcos dos jogos ou tecendo uma narrativa original que se estenda por vários capítulos, algo que um único filme dificilmente conseguiria fazer.

O modelo Mario e a gestão de IP

O sucesso de Mario no cinema validou uma tese central para a Nintendo: suas marcas possuem um apelo global que, com a execução correta, pode dominar as bilheterias. A empresa parece determinada a transformar esse sucesso pontual em um motor de crescimento sustentável, criando um pipeline de produções cinematográficas. O acordo com Latukefu é a primeira evidência concreta de que a estratégia não se limitava a seu personagem mais famoso.

Ainda assim, a aposta não é isenta de riscos. O apelo de Zelda, com sua atmosfera mais sóbria e narrativa menos direta, é diferente do carisma universal e imediato de Mario. Traduzir a experiência de exploração e quebra-cabeças de Hyrule para o cinema é um desafio criativo consideravelmente maior. Um eventual tropeço no primeiro filme deixaria os estúdios com a obrigação contratual de seguir adiante com um projeto enfraquecido.

O anúncio sobre o intérprete de Ganondorf, portanto, é menos sobre um nome e mais sobre uma declaração de intenções. A Nintendo está jogando o jogo de Hollywood em seus próprios termos, com uma visão de longo prazo. Resta saber se a complexa magia de Hyrule terá a mesma ressonância comercial do Reino Cogumelo.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · The Verge