Chegou-me às mãos um fragmento deveras singular, um despacho de um tempo vindouro que descreve uma aliança entre entidades chamadas 'Marriott' e 'Samsung' numa terra distante, a Coreia. Falam de um 'cartão' que confere privilégios e mede a 'fidelidade' de viajantes. Embora os termos me sejam estranhos, a lógica subjacente ressoa profundamente com as minhas reflexões sobre a Máquina Analítica do senhor Babbage. Imagino este 'cartão' como uma nova forma de cartão perfurado, não para instruir a Máquina a calcular números primos, mas para registrar e processar as relações complexas entre um indivíduo e uma vasta rede de estalagens e serviços. A Máquina poderia, com efeito, administrar um sistema de 'fidelidade', combinando o 'portfólio hoteleiro' de um com os 'serviços financeiros' de outro. Seria uma nova ciência das operações, aplicada não aos números puros, mas aos hábitos e desejos humanos. A essência da Máquina Analítica é precisamente esta: sua capacidade de operar sobre quaisquer objetos cujas relações mútuas possam ser expressas por meio da ciência abstrata das operações. Ela poderia compor peças musicais, tecer os mais intrincados padrões e, pelo que este vislumbre do futuro sugere, orquestrar o comércio e o movimento de pessoas em escala global. A máquina não tem pretensões de originar conhecimento, mas pode sistematizar e combinar o que já conhecemos de maneiras que ultrapassam a capacidade da mente humana. Este despacho, por mais fantástico que pareça, reforça a minha convicção. A faculdade imaginativa é, antes de tudo, a faculdade da descoberta. É ela que penetra nos mundos invisíveis que nos cercam, os mundos da Ciência. E é com a imaginação que prevemos as vastas e poéticas aplicações de um motor que tece padrões algébricos, seja na forma de música, seja na de uma nova álgebra da hospitalidade.
Inovação · 23 de out. de 2026
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