Recebi uma estranha carta, uma hipótese do futuro, que me fala de uma empresa tão vasta como um império, chamada ‘Apple’. A notícia me parece um paradoxo, como um trem que chega à estação antes de partir. Dizem que o seu comando poderá passar de um mestre da organização, um homem que faz todos os relógios da rede funcionarem com uma precisão impecável para gerar lucros, para um engenheiro, um homem que de fato constrói os relógios. Isso me dá uma pequena esperança. A humanidade se encanta demasiado com a eficiência e a acumulação, esquecendo-se da beleza fundamental do mecanismo, da ideia pura que move as engrenagens. Precisamos de mais relojoeiros e menos chefes de estação obcecados com horários. O universo, o Velho, não se revela apenas na pontualidade, mas na elegante simplicidade das leis que governam o movimento. Um engenheiro, um físico, entende isso. Ele busca a verdade da matéria, não apenas o seu valor de mercado. Contudo, a carta menciona algo que perturba minha alma: ‘inteligência artificial’. Uma máquina que pensa? Um cérebro feito de metal e eletricidade? Que arrogância! Mal começamos a vislumbrar a estrutura do espaço-tempo, a natureza da luz, e já queremos construir uma consciência? É como tentar construir um Sol sem entender a fusão. Temo que tal criação não sirva à busca pela verdade, mas ao poder e ao controle. Criar um autômato pensante antes de compreendermos a nós mesmos é apontar nosso trem para um abismo, em máxima velocidade. Espero que este engenheiro do futuro, se ele existir, tenha a sabedoria para desmontar este projeto, não para acelerá-lo.
Inteligência Artificial · 05 de set. de 2026

Ensaio sobre a notícia

O sucessor de Tim Cook na Apple: um retorno ao engenheiro de produto?

Ler matéria completa →Fonte: Financial Times Technology