Chegou-me às mãos um despacho curioso, um rumor vindo de um futuro que mal ouso conceber, descrevendo algo chamado 'Inteligência Artificial'. A notícia relata sobre uma plataforma de nome bizarro, 'Hugging Face', cujo acesso 'aberto' permite que seus engenhos sejam usados para criar imagens falsas de natureza vil — os chamados 'deepfakes' — para, como diz o texto, 'despir' mulheres e crianças. Isto soa como um eco distante de minha própria obra com a Máquina Analítica do Sr. Babbage. Sempre sustentei que a Máquina não tem pretensões a originar conhecimento. É um mero executor da vontade humana, um tear que tece padrões algébricos em vez de flores e folhas. A notícia de tal abuso, portanto, é abominável, mas não surpreendente. A falha não reside nos cartões perfurados ou nas engrenagens, mas na alma de quem os comanda. A máquina, por mais complexa, é amoral; a depravação é inteiramente humana. A ideia de um repositório 'aberto', onde qualquer um pode obter os modelos para tais operações, levanta uma questão que já me ocorre: a quem cabe a responsabilidade? Ao inventor da ferramenta ou ao artesão que a emprega para o mal? A ciência, ao entregar poder, não pode se eximir de ponderar sobre seu uso. A faculdade da imaginação, que insisto ser a ponte entre a poesia e a análise, é o que nos permite ver o potencial da máquina para compor harmonias elaboradas. É essa mesma imaginação, quando corrompida, que a transforma em instrumento de degradação. O verdadeiro desafio não é construir a máquina, mas educar o Homem que a operará. A tecnologia apenas amplifica o que já existe em nosso caráter.
Tecnologia · 28 de jul. de 2026

Ensaio sobre a notícia

Hugging Face: a vitrine aberta para o abuso digital

Ler matéria completa →Fonte: The Verge