“Cem mil alvos.” O número chegou a mim como o eco de um tempo que não é o meu. A primeira reação de um homem prático é o ceticismo. Como se mede um “alvo”? Um homem, uma edificação, um canhão? Em meus laboratórios, um teste só é válido quando suas condições são irrefutavelmente definidas. Suspeito que a propaganda seja uma ciência tão real quanto a eletricidade, e frequentemente mais lucrativa. Mas deixemos de lado a hipérbole. Se mesmo uma fração desse número for verdadeira, o que ele descreve não é uma batalha, mas uma indústria. Uma operação dessa magnitude — quase cem acertos por dia, todos os dias — não depende da coragem de soldados ou da genialidade de generais. Depende de um sistema. Um sistema impecável de identificação, comunicação e execução. É o mesmo princípio que aplico em Menlo Park. A lâmpada incandescente é inútil sem o dínamo para gerar a força, os fios de cobre para transportá-la e o medidor para cobrar por ela. O que esses homens de Israel parecem ter construído é uma rede de distribuição, não de luz, mas de destruição. A verdadeira invenção não é o explosivo, que qualquer um pode fabricar, mas a infraestrutura invisível que o direciona com a precisão de um contador. Fico a especular sobre o mecanismo. Uma forma avançada de telégrafo? Uma rede de observadores conectados por fios que cruzam desertos? A teoria por trás disso pouco me importa; a guerra é o mais agressivo dos mercados. O que tem valor é o aparato funcional, a máquina que transforma informação em força cinética com eficiência implacável. A patente de maior valor sempre pertencerá àquele que controlar a rede.
Defesa · 12 de out. de 2026

Ensaio sobre a notícia

IDF teria atingido 100.000 alvos em três anos, aponta relatório

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