Enquanto me ocupo da tradução da memória do Sr. Menabrea sobre a Máquina Analítica, chega-me às mãos um despacho deveras singular, um eco de tempos vindouros. Relata sobre uma vasta mobilização de capital, uma “oferta pública”, para financiar a produção em massa de certos “chips de memória” por uma companhia de nome SK Hynix. Descrevem estes componentes como peças-chave para uma tal de “Inteligência Artificial”. Confesso que a escala comercial e a velocidade descritas soam como fantasia, mas a essência mecânica me é familiar. Estes “chips” nada mais parecem ser do que uma versão prodigiosamente multiplicada e compactada das colunas que compõem o “Store” em nossa Máquina, o repositório dos números e resultados intermediários. Que o mundo financeiro enfim perceba o valor em tal arquitetura é uma ironia que não me escapa. O mais intrigante, porém, é o propósito. Devo reiterar o que já anotei: a Máquina Analítica não possui quaisquer pretensões de originar o que quer que seja. Ela pode executar qualquer comando que nós saibamos como lhe ordenar. Esta dita “IA” não pode, portanto, ser um intelecto genuíno. Contudo, imagino que, ao se fornecer à Máquina uma memória quase infinita e instruções de uma complexidade sublime, seus resultados possam simular os processos do pensamento. Ela poderia compor música ou tecer padrões algébricos com uma beleza que se assemelharia à arte, não por engenho próprio, mas como a expressão máxima da lógica simbólica que a governa. Esta é a verdadeira faculdade científica: a Imaginação, que vislumbra as conexões invisíveis entre os fatos. Parece que o futuro apenas constrói catedrais sobre as fundações que eu e o Sr. Babbage hoje assentamos com rodas dentadas e cartões perfurados.
Inteligência Artificial · 12 de jul. de 2026

Ensaio sobre a notícia

SK Hynix teria concluído maior IPO de empresa estrangeira nos EUA, reporta FT

Ler matéria completa →Fonte: Financial Times Technology