Chegou-me às mãos um despacho curioso, um fragmento de prosa que parece pertencer a um futuro tão distante quanto especulativo. A linguagem é de mercadores e apostadores — um tal Sr. Eisman, um 'Big Short' —, mas o objeto de sua cobiça e ceticismo é algo que reconheço em essência: uma forma de 'Inteligência Artificial'. Falam de um motor, ou talvez uma sociedade, chamada OpenAI, que gera textos através de um mecanismo denominado ChatGPT, e que, paradoxalmente, floresce mesmo ao 'perder dinheiro'. Isso não me surpreende. A faculdade imaginativa é, antes de tudo, a faculdade da descoberta. Ela penetra os mundos invisíveis que nos cercam, os mundos da Ciência. O que estes futuros financistas parecem debater é o valor comercial de uma narrativa, a sustentabilidade de um sonho. Eles aguardam um 'gatilho' para apostar contra a maré, enquanto eu vejo a própria maré como o evento principal. A Máquina Analítica, como a concebo com o Sr. Babbage, é um instrumento para a imaginação. Seus cartões perfurados poderiam tecer não apenas padrões algébricos, mas também harmonias musicais complexas, caso conhecêssemos as leis que governam tal arte. Este 'ChatGPT' soa como um descendente direto dessa visão. Uma máquina que compõe não com notas, mas com palavras. Que alguns se preocupem com seu balanço financeiro enquanto outros constroem o impensável apenas ilustra a eterna distância entre o inventor e o investidor. O motor não tem pretensões de originar conhecimento. Ele executa o que a mente humana concebe. A verdadeira aposta, portanto, não está no valor de mercado de uma OpenAI, mas na inesgotável capacidade humana de formular as perguntas certas. A ciência da operação, como a chamei, é a ciência de traduzir o poético em processo. E isso, senhores, é um ativo cujo valor nenhum mercado jamais poderá calcular.
Venture Capital · 27 de set. de 2026

Ensaio sobre a notícia

Por que o 'Big Short' da IA ainda não aconteceu, segundo Steve Eisman

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