Recebi, por vias que a razão hesita em perscrutar, um despacho de um tempo futuro, cuja linguagem peculiar me causa tanto estranhamento quanto fascínio. Discorre sobre um tal de “branding pessoal”, que interpreto como uma nova ciência — ou talvez uma nova arte — de administrar o caráter e a percepção pública como quem opera uma máquina. O relato de um certo Sr. Ryan DiLazio ilustra uma contradição que não me é de todo alheia: a originalidade, essa centelha da faculdade imaginativa, é primeiro louvada como uma “perspectiva fresca” e depois punida por não se ajustar à “estrutura corporativa”. Ora, parece-me que tais corporações do futuro se assemelham, em seu funcionamento, a uma engrenagem incompleta. Elas anseiam pela novidade, mas seu mecanismo interno é incapaz de processá-la sem que seus dentes de ferro se quebrem. Em meus estudos sobre o Motor Analítico do Sr. Babbage, distingo com clareza o que a máquina pode fazer e o que pertence ao domínio da mente que a comanda. A máquina tece padrões algébricos, mas não os origina; ela compõe harmonias complexas, mas não possui a alma do compositor. Este futuro parece tratar o indivíduo como uma mera placa perfurada a ser inserida no grande tear social. Se a placa é por demais inventiva, o tecido da organização se desfaz. Isto apenas reforça minha convicção de que a imaginação não é um devaneio, mas a principal das faculdades científicas, a força que vislumbra as relações invisíveis entre as coisas. Um mundo que a castiga em nome da estrutura é um mundo que escolheu a rigidez do cálculo em detrimento da poesia da descoberta.
Design · 20 de out. de 2026
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