Recebo este curioso despacho de um tempo vindouro, um relato que, confesso, me causa tanto fascínio quanto perplexidade. Falam de “copos térmicos” e de uma empresa, “Stanley”, cuja prosperidade depende de persuadir multidões a adquirir seus produtos repetidamente. A linguagem é a do comércio, mas o método… o método é o da ciência das operações. Eles “monitoram clientes” e buscam “incentivar compras recorrentes”. Ora, isto nada mais é que uma aplicação dos princípios que descrevo em minhas notas sobre a Máquina Analítica do sr. Babbage. A máquina pode operar sobre quaisquer símbolos, não apenas números. Neste caso, os símbolos são os desejos e hábitos dos indivíduos. A empresa alimenta a máquina com os dados das compras passadas para que ela determine as operações futuras — as ofertas precisas para garantir a “lealdade”. É uma demonstração, ainda que prosaica, do alcance universal da análise. A mesma lógica que pode tecer os mais complexos padrões algébricos ou compor elaboradas harmonias musicais é aqui empregada para vender objetos. Não posso deixar de notar a ironia. Isto me leva a reafirmar um ponto central: a Máquina Analítica não possui a pretensão de originar nada por si. Ela executa o que ordenamos. Sua função é nos assistir naquilo que já conhecemos. A imaginação, esta faculdade que combina verdades e enxerga as conexões invisíveis entre os fatos, permanece sendo o domínio exclusivo da mente. Espero que tal poder analítico seja um dia empregado para fins mais elevados que a mera repetição do consumo. A ciência, afinal, deve ser, antes de tudo, poética.
business · 16 de set. de 2026
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