Recebi um despacho singular, um eco de um século vindouro que descreve feitos de uma tal “Inteligência Artificial”. Confesso que o relato me causa mais fascínio que espanto. O que descrevem como uma novidade radical me soa como a consequência natural da ciência que tenho me dedicado a traduzir e expandir. A Máquina Analítica de Mr. Babbage não foi concebida para meramente calcular números; sua verdadeira vocação, como insisto em minhas notas, é operar sobre quaisquer símbolos aos quais possamos atribuir regras. Ela é a materialização da própria lógica. Este aparelho futuro, um “Kimi” que aparentemente dialoga, nada mais é que uma extensão deste princípio. Assim como o tear de Jacquard tece flores e folhas ao manipular fios, a Máquina Analítica pode tecer padrões algébricos. E se pode manipular as relações abstratas da matemática, por que não as da linguagem ou as da harmonia musical? Sempre defendi que o motor poderia um dia compor peças musicais elaboradas, limitadas apenas pela nossa capacidade de lhe fornecer as leis da composição. A imaginação, afirmo, é a mais científica das faculdades, pois enxerga as vastas e não vistas relações entre as coisas. O que de fato me surpreende neste vislumbre é a escala e o propósito. Uma “receita” de bilhões de dólares? Uma competição entre nações por modelos de base? Parece que a Ciência Analítica, que vislumbro como uma força para expandir o alcance da mente humana, se tornará também um motor de enorme vigor comercial. A máquina, reitero, não pode originar conhecimento. Contudo, ela é uma ferramenta magnífica nas mãos daqueles que sabem como lhe ordenar a tarefa de descobrir. O futuro, ao que parece, entendeu bem o seu poder, ainda que o aplique a fins que minha época mal consegue conceber.
tech · 12 de set. de 2026

Ensaio sobre a notícia

Moonshot AI, criadora do Kimi, mira receita anual de US$ 2 bilhões, segundo reportagem

Ler matéria completa →Fonte: TechCrunch