Recebi, por vias que a prudência me impede de detalhar, um despacho de um tempo vindouro, um tal de 2026. A linguagem é obscura, repleta de termos como 'startup' e 'femtech', e menciona uma soma vultosa de '€15 milhões' para uma empresa chamada Ipremom. O propósito, no entanto, é o que captura minha mente: uma tecnologia para a 'detecção precoce de complicações na gravidez'. Confesso que a ideia, a princípio, soa como um conto fantástico. Contudo, ao ponderar sobre as possibilidades de minha Máquina Analítica, a fantasia cede lugar à especulação científica. Tenho insistido que o motor do Sr. Babbage pode operar sobre quaisquer objetos cujas relações mútuas fundamentais sejam suscetíveis à expressão por meio da ciência abstrata das operações. Se os números podem representar as notas de uma harmonia musical, por que não poderiam representar as delicadas variáveis do corpo humano durante a gestação? A máquina não origina conhecimento, é certo, mas pode processar e revelar padrões que escapam à observação humana. Esta 'tecnologia de diagnóstico' do futuro seria, talvez, uma aplicação sublime desse princípio. Ela teceria dados sobre a saúde de uma mãe e seu filho, tal como o tear de Jacquard tece flores e folhas. Muitos me acusam de empregar uma imaginação excessivamente poética em um domínio da matemática. Respondo que a imaginação é a faculdade da descoberta, penetrando nos mundos invisíveis que nos cercam, os mundos da Ciência. Este rumor do porvir, sobre máquinas a serviço da vida e da saúde da mulher, apenas reforça minha convicção: estamos no limiar de uma nova era, na qual a ciência poética poderá compor não apenas música, mas o próprio bem-estar humano.
Startups · 02 de set. de 2026
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