Recebi um despacho de um futuro que soa a delírio. Afirma que uma nação pode lucrar R$ 192 bilhões por... não fazer nada. Por deixar uma floresta em pé. Em Menlo Park, medimos o progresso em horas de trabalho, em filamentos de bambu carbonizado que resistem mil e duzentas horas, no cobre estendido por quilômetros. O valor reside no que é transformado, no minério que vira dínamo, na energia que vira luz. Uma árvore de pé é apenas matéria-prima ociosa.
Este documento fala de "benefícios climáticos" e "emissões evitadas" como se fossem mercadorias, com cifras trilionárias. Quem é o comprador? Como se entrega uma "emissão evitada"? Posso construir um medidor para ela? Se não posso medi-la, não posso vendê-la. É fumaça. Pura teoria de acadêmicos que nunca sujaram as mãos com graxa ou sentiram o calor de uma forja. Eles falam de "gases de efeito estufa" – seria algo como a fuligem de minhas usinas a carvão? Um inconveniente a ser gerenciado, certamente, mas um ativo por sua ausência? É absurdo.
A competição se vence com sistemas superiores, patentes mais robustas e capital mais agressivo. Lutamos contra a corrente alternada de Westinghouse com a segurança e a eficiência da minha corrente contínua, uma batalha travada em volts e amperes, não em abstrações. Se algum dia me apresentarem um plano de negócios para lucrar com o ar puro ou com florestas intocadas, com um cliente disposto a pagar em ouro por algo que não se pode tocar ou ver, talvez eu invista. Até lá, volto aos meus laboratórios. Há um mundo a ser iluminado, e isso não se faz com especulação, mas com persistência e eletricidade.
Clima & Energia · 21 de out. de 2026
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